Harry Cartoon Potter

Harry Cartoon Potter
Tá acabando! Em quinze de Julho it all ends...

domingo, dezembro 26, 2010

Batismo? OK. E o que Esperar do Ano Novo?

É isso aí! Estou batizado, lavado, transformado, resgatado, "salvado", e na hora eu fiquei...
...molhado?
E o Ano Novo?
O que esperar de 2011? Novo colégio? Novo amor?
Quer saber?
O que importa?
Eu tenho Deus, tenho minha família, e tenho meus livros.
Eu vou viver até lá!
Que venha 2011!!!

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Happy Christmas!

Feliz Natal, povo!
Em cinco dias, o Ano Novo...
Um Natal de muita paz, amor e compreensão, de alegria e harmonia, de felicidade e soliedariedade! Que Deus ilumine nossos corações e que nós possamos ser iluminados pelo amor de seu Espírito Santo!

Resumindo...

Feliz Natal!

terça-feira, dezembro 21, 2010

Não Há Como Explicar... o Amor

Isso é a mais pura verdade. Como se pode explicar o amor?
"O amor é resultado de uma liberação de hormônios que atuam no..."
NÃO!
"O amor é um sentimento mágico, dado pelas flexadas do Cupido..."
NÃO! (dãh?!)
E o que é o amor?
O amor é algo real e, ao mesmo tempo, algo que não pode ser tocado. É uma coisa que você pode sentir, que pode mudar, que pode ficar mais forte ou mais fraco. Ele pode esfriar... e retornar mais forte do que no começo.
Um exemplo disso?
Eu.
Já amei verdadeiramente duas garotas nesses meus 12 anos, 5 meses, 21 dias, 11 horas e 12 minutos de vida. Isso é uma história de amor?
NÃO.
Isso é a história desventurada da rejeição de um garoto por duas meninas. Hahaha.
(Só pra constar, a menina 1 foi em 2007 e a menina 2 foi em 2010, tá bom? Não pensem em besteira, mentes poluídas!)
Querem exemplos de uma história de amor?
Romeu e Julieta, Peter Parker (SPIDER-MAN!) e Mary Jane, Rony e Hermione, Lady Gaga e... Ops!
Um exemplo de "casal-apaixonado-que-tem-vergonha-de-adimitir-seus-sentimentos-e-passa-o-tempo-brigando-e-fingindo-que-se-odeiam"?
Dois colegas meus: Lucas -não SOU EU!- e Vitória.
De acordo com ele, eles se beijaram durante um bom tempo.
De acordo com ela, é só "amizade".
Sei...
Enfim, não há como explicar o amor. Ele aparece quando você menos espera, te pega de surpresa e muda o seu destino. Nunca se sabe quando ele vai acabar... e nunca se sabe se o amor da sua vida você acabou de encontrar.
Por isso, não tente explicar o sentimento mais poderoso que existe ou tente evitá-lo. Se ele o atingir, deixe rolar e que você crie o seu Destino próprio.

Boa tarde.

Crônicas no Blog!

A partir de agora, lançarei uma série de crônicas chamada "Não Há Como Explicar...". Ela vai abordar diversos temas, como o amor, o dinheiro, a raiva, e etc.

O primeiro conto sai em alguns minutos! Aguardem!

sábado, dezembro 18, 2010

Mudança de Atitude

Sabe quando você cansa de ser tantas vezes passado pra trás?
De ser enganado e ludibriado por uma pessoa durante tanto tempo e dizer "basta"?
É assim que eu me sinto em relação ao Igor, meu irmão (ou meio-irmão).
Sabe, há algum tempo atrás, quando ele vinha dormir aqui em casa, eu ficava eufórico. Quando ele chegava, eu dedicava minha atenção, chegando até ao ponto em que nós fomos dormir cinco horas da manhã pois estávamos vendo um monte de filmes. Todas as vezes, ele dizia: "olha, eu venho passar um tempo aí contigo", ou depois, "eu já tô de férias, eu vou passar uma semana aí na tua casa", e etc.
Ele nunca veio.
Ele era como um político: só prometia e nunca cumpria.
E isso ocorreu durante o ano inteiro.
E, lentamente, uma coisa aconteceu.
Depois de ter sido enganado durante todo esse tempo, eu... me cansei. Me magoei. Eu disse finalmente um "basta".
Agora, ele só vem aqui para pegar dinheiro para pagar a faculdade... e dizer mais promessas que jamais serão cumpridas.
E quer saber?
Eu nem espero mais que ela cumpra alguma dessas promessas.
Ontem, ele retirou suas amídalas e eu fui ao hospital com o meu pai buscá-lo e levá-lo pra casa.
Lá, vimos um vídeo da banda dele, conhecemos a namorada dele, e meu pai ficou todo orgulhoso.
Eu não sinto raiva do Igor.
E na casa dele, eu senti a pior coisa que se pode sentir... nada.
Eu estva feliz por causa dele, por ele ter uma namorada bacana, mas... nada. Uma chama simples de alegria, ou de vontade de dizer que a presença dele era legal. Nem raiva, nem alegria, nem... alguma coisa.
E então, eu comecei a me lembrar de tempos antigos, quando eu era menor, na faixa dos três, quatro, cinco e seis anos de idade. Quando o Igor, as minhas primas queridas, e todos ao meu redor realmente pareciam demonstrar que gostavam de mim. Que eu era uma das coisas queridas deles. Que eu aparecia de vez em quando em seus pensamentos. Quando brincávamos, ríamos, sem se importar com o resto.
Mas os tempos mudaram.
Eu não sou um pensamento que regulamente aparece na cabeça do Igor, ou das minhas primas.
Eles não se lembram de ligar pra mim pra perguntar como eu estou, se eu estou bem, se eu me sinto feliz.
E eu sempre fiz isso.
Quantas vezes eu não deixei algo que eu tinha pra fazer para ficar com eles?
Quantas vezes eu não deixei de lado a minha vontade e fiz a deles?
E, ontem, ao deixar de ir ao meu último dia de aula na natação para ficar com o meu irmão, eu indaguei:
"Quantas vezes o Igor deixou algum compromisso dele por causa de mim?", "Porque eu vou visitá-lo por causa dele, se ele nunca vem aqui por causa de mim?"
Mas eu continuo indo.
Continuo amando o Igor e as minhas primas.
Mas no meu coração, continua uma terrível dúvida:
Será que eles verdadeiramente me amam?

domingo, dezembro 12, 2010

Harry Potter 7 - Parte 1... é muito FIRME!

Muito legal!
Fenomenal!
Isso tudo é o novo Harry Potter!
E, para mostrar isso, mais uma crítica do Cinema com Rapadura...

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1

A primeira parte do último capítulo da saga de Harry Potter cria a atmosfera de guerra para a maior das batalhas do pequeno bruxo. “Harry Potter e as Relíquias da Morte” é um excelente filme de guerra, que mostra o amadurecimento de uma história que cresceu com os fãs e ganhou vida com os atores, também mais maduros e experientes.


ESCRITA POR: Lais Cattassini

NOTA PARA O FILME: 10

“Harry Potter e as Relíquias da Morte” é um excelente filme de guerra. Isso mesmo. Filme de guerra. Inúmeras serão as críticas e artigos que avisarão que este é o longa mais sombrio da série. Os jornalistas não estão enganados, porém não podiam ser mais óbvios. O adjetivo “sombrio” é usado para descrever a série desde “O Prisioneiro de Azkaban”. À medida que Harry foi crescendo, os perigos e as perdas que enfrentou também foram se tornando maiores. Voldemort, o vilão eterno, ganhou força e, nesse sétimo capítulo, se tornou um mal mais do que ameaçador.

Claro, os filmes da saga foram se tornando cada vez mais sombrios. Nada, entretanto, se compara a esse. Nessa aventura, Harry, Ron e Hermione se tornam heróis plenos, responsáveis não apenas por salvar a escola de magia e bruxaria de Hogwarts, mas por salvar o mundo.

O grande mérito, não apenas de J.K. Rowling, que construiu a história até esse ponto, mas também de todos os cineastas responsáveis por levar os livros à tela, é fazer com que os espectadores acompanhem os sete anos da vida desses pequenos bruxos. Vimos Harry sofrer vivendo com os tios, descobrir a magia dentro de si, fazer amigos, aprender feitiços, se apaixonar, perder entes queridos… Foram sete episódios com muita história que prepararam leitores e audiência para o grande final. A apresentação dos personagens e o desenrolar de suas vidas é essencial para emocionar nessa primeira parte do encerramento da série.

Em seu último ano em Hogwarts, Harry decide não voltar à escola, mas partir para encontrar as sete horcruxes, pedaços de alma de Voldemort. É sua função encontrar todos os objetos que ainda faltam (quatro) e destruí-los. Só assim o lorde das trevas será derrotado. Claro que Harry não vai sozinho. Ron e Hermione são parte fundamental da aventura. O cenário para a jornada do trio não poderia ser pior. Nenhum dos três tem ideia de por onde começar e, enquanto isso, família e amigos correm riscos.

As primeiras cenas desse longa metragem mostram Hermione apagando a memória dos pais. Para garantir que eles sobreviverão à guerra, a feiticeira apaga seu rosto em cada uma das fotos de sua casa. Emma Watson faz a cena brilhantemente. Se antes a atriz abusava das caretas, nesse filme ela está fantástica. Sua atuação é sutil e, nos pequenos gestos no decorrer do filme, ela demonstra o pesar de quem abandonou a família e não sabe ao certo se terá um futuro com Ron.

O romance entre os dois, aliás, é algo que finalmente transparece. Nos filmes anteriores, Harry, por ser o heroi da saga, sempre ganhava a atenção de Hermione. Aqui é visível o interesse dela em Ron, assim como o ciúme dele por Harry, um mérito de Rupert Grint.

Todos os três astros de “Harry Potter e as Relíquias da Morte” amadureceram. É impressionante vê-los carregando toda essa dor ao longo do filme. Uma dor que, com certeza, foi acumulada após cada uma das perdas narradas no decorrer da aventura. A grande atuação dos três, entretanto, ganha ainda mais peso com o elenco de apoio. Além dos já conhecidos personagens, que voltam para proporcionar alívio cômico e dar ainda mais vida à realidade mágica, conhecemos outras figuras, como Mundungus Fletcher. Se o mundo mágico tivesse jogo do bicho, Mundungus seria bicheiro. As correntes de ouro, a careca mal cuidada, a vaidade cafona. O personagem transparece a charlatanice até no jeito de falar.

Xenófilo Lovegood, pai de Luna, é outro achado. Tão perdido quanto a filha, o personagem, interpretado muito bem por Rhys Ifans, mistura a comédia e o drama em uma única cena. É irresistível assistir à construção da cena e do personagem. Há tantos momentos fantásticos de atuação que é difícil comentar cada um deles. Jason Isaacs como Lúcio Malfoy, James e Oliver Phelps como os irmãos gêmeos de Ron e Julie Walters como Molly Weasley são alguns dos nomes que com certeza arrancarão soluços. Se não nessa primeira parte de “Relíquias da Morte”, com certeza na segunda.

Uma decepção, entretanto, é a atuação de Helena Bonham Carter como Bellatrix Lestrange. Se a atriz já estava insuportável nos filmes anteriores, agora ela destoa de toda calma e sutileza do resto do elenco. Ao dividir a cena com Emma Watson, por exemplo, que demonstra uma Hermione madura e sábia, a atriz parece uma criança. Não há nada ali de natural. Ela é caricata, exagerada e, francamente, patética.

Os dramas e interações entre os personagens são tão bem construídos que não dá para esquecer por um minuto o que aqueles momentos significam. Há tensão ali. A tensão de uma guerra iminente. As cenas de ação fazem jus à atmosfera construída. O texto, convenhamos, não era lá dos mais ricos nesse aspecto. No livro, Harry, Ron e Hermione ficam mais tempo acampados e decidindo o que fazer do que com a mão na massa de fato. A falta de ação na história fez com que os fãs ganhassem ainda mais com a divisão da trama em dois filmes. Essa é, com toda a certeza, a mais fiel das adaptações. Com mais tempo, roteirista e diretor puderam trabalhar em cada um dos detalhes da trama.

O diretor David Yates fez um trabalho fantástico. Ele foi responsável pelo amadurecimento não apenas dos atores, mas também da trama. Compare o primeiro filme da série, dirigido por Cris Columbus, e esse último. São completamente diferentes. Uma obra que vai da ingenuidade ao pesar. Pesar combina mais com a história triste de Harry Potter. Desde que assumiu a saga, Yates tem conduzido o drama com qualidade. A cada filme o diretor colocava Harry Potter um passo a frente para alcançar os grandes épicos.

A prova do desafio enfrentado por Yates foi dividir a última parte da saga em dois. O diretor conseguiu incluir, no ponto de corte, drama e ação. O final dessa primeira parte não é nada brusco. Faz sentido e nos deixa com vontade de mais.

Não tenho dúvidas de que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, partes 1 e 2, estarão entre os filmes mais marcantes da história do cinema, seja pela contribuição de Harry Potter na formação da cultura pop, pela qualidade dramática do longa metragem ou pelas excitantes cenas de ação. Assistimos ao desenrolar dessa guerra, que ainda não terminou e que, com certeza, renderá momentos ainda mais marcantes em sua segunda parte.

sábado, dezembro 11, 2010

Batismo: o Compromisso Final com Deus!

Finalmente, após mais de três meses, vou me batizar nas águas!
Dia 18 é o curso de batismo e no dia 25(Christmas!) é o batismo.
FIANLMENTE!
EU SEREI SALVO! VIVA!!!!!

terça-feira, dezembro 07, 2010

Presente de Natal: Já Ganhei, e Você?

Sim! Já ganhei o meu fantástico e fenomenal presente de Natal (que rima legal!).
Sabe o que é?
DÃ! Um livro!
O nome é "A Batalha do Apocalipse". O livro é massa, cheio de ação. E o livro é literatura nacional! O autor misturou tudo: fadas, duendes, magia, fantasmas, anjos, demônios e uma cruel e muito realista consequência do que a maldade da humanidade, dos conflitos políticos, sociais e militares, e do descaso com a natureza fez com o nosso planeta. No livro, as Sete Trombetas são BOMBAS ATÔMICAS. E o livro tem muitas pitadas sobrenaturais e de romance.

Tchau!

domingo, dezembro 05, 2010

Quando o Livro que Você Lê é Uma Bosta, Não Arremesse-o Pela Janela...

Ler a "Saga Crepúsculo" é um desafio.
Sem querer desreispeitar os fãs, pois eu sou quase um fã, mas meu Deus! Pense um livro chato e melodramático! Eu quase vomitei e tive vontade de queimar "Amanhecer", o último livro da série. Se você quer ver o filme, eu lhe digo: não vá. Não espere uma batalha final fantástica, envolvendo a já Bella vampira, Edward, Jacob, os Cullen e os lobisomens contra os malvados Volturi. Se você quer isso ou cenas de ação legais -como as do final de Eclipse-, não vá ver "A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 " ou "Parte 2". Você sentirá raiva e náuseas e louca vontade de viajar aos EUA com uma escopeta e matar Stephenie Meyer, os diretores dessa bomba, e companhia. NÃO tem batalha final e o livro termina com Bella e Edward transando, apeasr de ela não dizer isso, mas dá pra perceber isso.
Outro exemplo de livro bosta é "Eldest",a continuação de "Eragon".
"Eragon" era um livro fantástico, cheio de ação, magia, história e dragões, então, fiquei animado para ler o segundo volume.
Atualmente, para ler um livro de 800 páginas, eu demoro, sem parar, 2 dias. Para "Eldest", que tem umas 500, demorei seis meses. O livro é horroroso, só prestam o início e o final. Felizmente, o terceiro volume, "Brisingr", redimiu a série.
Por isso, se você perceber que o livro que você está lendo é pior do que ver o Silvio Santos dançando "Conga la Conga", da Gretchen, não pegue-o e jogue-o na lava fervente num ataque de fúria descontrolado. Leia-o até o final e veja até que ponto ele é ruim. Porém, se você estiver lendo "Lua Nova" ou vendo -o que é pior- o filme, é melhor queimar o livro e desintegrar o DVD. Você estará poupando seu cérebro de uma tortura psicológica.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Apocalipse: O Verdadeiro Relato do Fim dos Tempos

Você tem medo do Apocalipse? Você tem dúvidas? Confira abaixo, na íntegra, o livro inteiro de Apocalipse, todos os capítulos, todos os versículos, do começo ao fim e saiba o que realmente vai acontecer no fim dos tempos...

Apocalipse 1

1 ¶ Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo;
2 O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto.
3 ¶ Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.
4 mapa João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono;
5 E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Aquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados,
6 E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.
7 Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém.
8 Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.
9 ¶ Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.
10 Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta,
11 Que dizia: Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia.
12 E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro;
13 E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro.
14 E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo;
15 E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas.
16 E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.
17 E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último;
18 E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno.
19 Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer;
20 O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas.

Apocalipse 2

1 ¶ Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro:
2 Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos.
3 E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste.
4 Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
5 Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.
6 Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.
7 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.
8 ¶ E ao anjo da igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu:
9 Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás.
10 Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
11 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte.
12 ¶ E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios:
13 Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem.
15 Assim tens também os que seguem a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio.
16 Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca.
17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.
18 ¶ E ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem seus olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao latão reluzente:
19 Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as tuas últimas obras são mais do que as primeiras.
20 Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria.
21 E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu.
22 Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras.
23 E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras.
24 Mas eu vos digo a vós, e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei.
25 Mas o que tendes, retende-o até que eu venha.
26 E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações,
27 E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai.
28 E dar-lhe-ei a estrela da manhã.
29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Apocalipse 3

1 ¶ E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.
2 Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus.
3 Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.
4 Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes, e comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso.
5 O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
6 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
7 ¶ E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi; o que abre, e ninguém fecha; e fecha, e ninguém abre:
8 Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome.
9 Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo.
10 Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.
11 Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
12 A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome.
13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
14 ¶ E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!
16 Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
17 Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
18 Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.
19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
21 Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.
22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Apocalipse 4

1 ¶ Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz que, como de trombeta, ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer.
2 E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono.
3 E o que estava assentado era, na aparência, semelhante à pedra jaspe e sardônica; e o arco celeste estava ao redor do trono, e parecia semelhante à esmeralda.
4 E ao redor do trono havia vinte e quatro tronos; e vi assentados sobre os tronos vinte e quatro anciãos vestidos de vestes brancas; e tinham sobre suas cabeças coroas de ouro.
5 E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus.
6 E havia diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono, quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás.
7 E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando.
8 ¶ E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir.
9 E, quando os animais davam glória, e honra, e ações de graças ao que estava assentado sobre o trono, ao que vive para todo o sempre,
10 Os vinte e quatro anciãos prostravam-se diante do que estava assentado sobre o trono, e adoravam o que vive para todo o sempre; e lançavam as suas coroas diante do trono, dizendo:
11 Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.

Apocalipse 5

1 ¶ E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.
2 E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?
3 E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele.
4 E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele.
5 E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.
6 ¶ E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra.
7 E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.
8 E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
9 E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação;
10 E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.
11 E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares,
12 Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças.
13 E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.
14 E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre.

Apocalipse 6

1 ¶ E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê.
2 E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer.
3 ¶ E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê.
4 E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
5 E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão.
6 E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.
7 E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê.
8 E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra.
9 ¶ E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram.
10 E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
11 E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.
12 E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue;
13 E as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte.
14 E o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.
15 E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas;
16 E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro;
17 Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?

Apocalipse 7

1 ¶ E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma.
2 E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar,
3 Dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos assinalado nas suas testas os servos do nosso Deus.
4 E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel.
5 Da tribo de Judá, havia doze mil assinalados; da tribo de Rúben, doze mil assinalados; da tribo de Gade, doze mil assinalados;
6 Da tribo de Aser, doze mil assinalados; da tribo de Naftali, doze mil assinalados; da tribo de Manassés, doze mil assinalados;
7 Da tribo de Simeão, doze mil assinalados; da tribo de Levi, doze mil assinalados; da tribo de Issacar, doze mil assinalados;
8 Da tribo de Zebulom, doze mil assinalados; da tribo de José, doze mil assinalados; da tribo de Benjamim, doze mil assinalados.
9 Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos;
10 E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.
11 E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus,
12 Dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém.
13 ¶ E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram?
14 E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.
15 Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra.
16 Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairá sobre eles.
17 Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima.

Apocalipse 8

1 ¶ E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora.
2 E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas.
3 E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono.
4 E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus.
5 E o anjo tomou o incensário, e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra; e houve depois vozes, e trovões, e relâmpagos e terremotos.
6 E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las.
7 ¶ E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra, que foi queimada na sua terça parte; queimou-se a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada.
8 E o segundo anjo tocou a trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar.
9 E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das naus.
10 E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas.
11 E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas.
12 E o quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite.
13 E olhei, e ouvi um anjo voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! ai! ai! dos que habitam sobre a terra! Por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar!

Apocalipse 9

1 ¶ E o quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que do céu caiu na terra; e foi-lhe dada a chave do poço do abismo.
2 E abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço, como a fumaça de uma grande fornalha, e com a fumaça do poço escureceu-se o sol e o ar.
3 E da fumaça vieram gafanhotos sobre a terra; e foi-lhes dado poder, como o poder que têm os escorpiões da terra.
4 E foi-lhes dito que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm nas suas testas o sinal de Deus.
5 E foi-lhes permitido, não que os matassem, mas que por cinco meses os atormentassem; e o seu tormento era semelhante ao tormento do escorpião, quando fere o homem.
6 E naqueles dias os homens buscarão a morte, e não a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles.
7 E o parecer dos gafanhotos era semelhante ao de cavalos aparelhados para a guerra; e sobre as suas cabeças havia umas como coroas semelhantes ao ouro; e os seus rostos eram como rostos de homens.
8 E tinham cabelos como cabelos de mulheres, e os seus dentes eram como de leões.
9 E tinham couraças como couraças de ferro; e o ruído das suas asas era como o ruído de carros, quando muitos cavalos correm ao combate.
10 E tinham caudas semelhantes às dos escorpiões, e aguilhões nas suas caudas; e o seu poder era para danificar os homens por cinco meses.
11 E tinham sobre si rei, o anjo do abismo; em hebreu era o seu nome Abadom, e em grego Apoliom.
12 Passado é já um ai; eis que depois disso vêm ainda dois ais.
13 ¶ E tocou o sexto anjo a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das quatro pontas do altar de ouro, que estava diante de Deus,
14 A qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos, que estão presos junto ao grande rio Eufrates.
15 E foram soltos os quatro anjos, que estavam preparados para a hora, e dia, e mês, e ano, a fim de matarem a terça parte dos homens.
16 E o número dos exércitos dos cavaleiros era de duzentos milhões; e ouvi o número deles.
17 E assim vi os cavalos nesta visão; e os que sobre eles cavalgavam tinham couraças de fogo, e de jacinto, e de enxofre; e as cabeças dos cavalos eram como cabeças de leões; e de suas bocas saía fogo e fumaça e enxofre.
18 Por estes três foi morta a terça parte dos homens, isto é pelo fogo, pela fumaça, e pelo enxofre, que saíam das suas bocas.
19 Porque o poder dos cavalos está na sua boca e nas suas caudas. Porquanto as suas caudas são semelhantes a serpentes, e têm cabeças, e com elas danificam.
20 E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar.
21 E não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos.

Apocalipse 10

1 ¶ E vi outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste, e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo;
2 E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra;
3 E clamou com grande voz, como quando ruge um leão; e, havendo clamado, os sete trovões emitiram as suas vozes.
4 E, quando os sete trovões acabaram de emitir as suas vozes, eu ia escrever; mas ouvi uma voz do céu, que me dizia: Sela o que os sete trovões emitiram, e não o escrevas.
5 E o anjo que vi estar sobre o mar e sobre a terra levantou a sua mão ao céu,
6 E jurou por aquele que vive para todo o sempre, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há, que não haveria mais demora;
7 Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.
8 ¶ E a voz que eu do céu tinha ouvido tornou a falar comigo, e disse: Vai, e toma o livrinho aberto da mão do anjo que está em pé sobre o mar e sobre a terra.
9 E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disse-me: Toma-o, e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel.
10 E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo.
11 E ele disse-me: Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis.

Apocalipse 11

1 ¶ E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram.
2 E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses.
3 ¶ E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco.
4 Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra.
5 E, se alguém lhes quiser fazer mal, fogo sairá da sua boca, e devorará os seus inimigos; e, se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto.
6 Estes têm poder para fechar o céu, para que não chova, nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda a sorte de pragas, todas quantas vezes quiserem.
7 E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará.
8 E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado.
9 E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulcros.
10 E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra.
11 E depois daqueles três dias e meio o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre seus pés, e caiu grande temor sobre os que os viram.
12 E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi para aqui. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram.
13 E naquela mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram muito atemorizados, e deram glória ao Deus do céu.
14 ¶ É passado o segundo ai; eis que o terceiro ai cedo virá.
15 E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.
16 E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus,
17 Dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste.
18 E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.
19 E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca da Aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e uma grande chuva de granizo.

Apocalipse 12

1 ¶ E viu-se um grande e extraordinário sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.
2 E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz.
3 E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas.
4 E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho.
5 E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.
6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.
7 E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;
8 Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus.
9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.
10 E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite.
11 E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte.
12 ¶ Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo.
13 E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem.
14 E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente.
15 E a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para que pela corrente a fizesse arrebatar.
16 E a terra ajudou a mulher; e a terra abriu a sua boca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua boca.
17 E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo.
18 ¶ E eu pus-me sobre a areia do mar.

Apocalipse 13

1 ¶ E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia.
2 E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio.
3 E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta.
4 E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?
5 E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses.
6 E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu.
7 E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação.
8 E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.
9 Se alguém tem ouvidos, ouça.
10 Se alguém leva em cativeiro, em cativeiro irá; se alguém matar à espada, necessário é que à espada seja morto. Aqui está a paciência e a fé dos santos.
11 ¶ E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão.
12 E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada.
13 E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens.
14 E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia.
15 E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.
16 E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas,
17 Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.
18 Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.

Apocalipse 14

1 ¶ E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que em suas testas tinham escrito o nome de seu Pai.
2 E ouvi uma voz do céu, como a voz de muitas águas, e como a voz de um grande trovão; e ouvi uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas.
3 E cantavam um como cântico novo diante do trono, e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.
4 Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro.
5 E na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do trono de Deus.
6 ¶ E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo.
7 Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.
8 E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição.
9 E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão,
10 Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.
11 E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome.
12 Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.
13 ¶ E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os seguem.
14 E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda.
15 E outro anjo saiu do templo, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice, e sega; a hora de segar te é vinda, porque já a seara da terra está madura.
16 E aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi segada.
17 E saiu do templo, que está no céu, outro anjo, o qual também tinha uma foice aguda.
18 E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice aguda, dizendo: Lança a tua foice aguda, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras.
19 E o anjo lançou a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e atirou-as no grande lagar da ira de Deus.
20 E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios.

Apocalipse 15

1 ¶ E vi outro grande e admirável sinal no céu: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus.
2 E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro, e tinham as harpas de Deus.
3 E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos.
4 Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos.
5 ¶ E depois disto olhei, e eis que o templo do tabernáculo do testemunho se abriu no céu.
6 E os sete anjos que tinham as sete pragas saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, e cingidos com cintos de ouro pelos peitos.
7 E um dos quatro animais deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da ira de Deus, que vive para todo o sempre.
8 E o templo encheu-se com a fumaça da glória de Deus e do seu poder; e ninguém podia entrar no templo, até que se consumassem as sete pragas dos sete anjos.

Apocalipse 16

1 ¶ E ouvi, vinda do templo, uma grande voz, que dizia aos sete anjos: Ide, e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus.
2 E foi o primeiro, e derramou a sua taça sobre a terra, e fez-se uma chaga má e maligna nos homens que tinham o sinal da besta e que adoravam a sua imagem.
3 E o segundo anjo derramou a sua taça no mar, que se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente.
4 E o terceiro anjo derramou a sua taça nos rios e nas fontes das águas, e se tornaram em sangue.
5 E ouvi o anjo das águas, que dizia: Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e santo és, porque julgaste estas coisas.
6 Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores.
7 E ouvi outro do altar, que dizia: Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos.
8 ¶ E o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe permitido que abrasasse os homens com fogo.
9 E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória.
10 E o quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o seu reino se fez tenebroso; e eles mordiam as suas línguas de dor.
11 E por causa das suas dores, e por causa das suas chagas, blasfemaram do Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras.
12 ¶ E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente.
13 E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs.
14 Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso.
15 Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas.
16 mapa E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom.
17 ¶ E o sétimo anjo derramou a sua taça no ar, e saiu grande voz do templo do céu, do trono, dizendo: Está feito.
18 E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terremoto, como nunca tinha havido desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto.
19 E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira.
20 E toda a ilha fugiu; e os montes não se acharam.
21 E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva; porque a sua praga era mui grande.

Apocalipse 171 ¶ E veio um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas;
2 Com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição.
3 E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres.
4 E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição;
5 E na sua testa estava escrito o nome: MISTÉRIO, A GRANDE BABILÔNIA, A MÃE DAS PROSTITUIÇÕES E ABOMINAÇÕES DA TERRA.
6 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.
7 ¶ E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres.
8 A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá.
9 Aqui o sentido, que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada.
10 E são também sete reis; cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo.
11 E a besta que era e já não é, é ela também o oitavo, e é dos sete, e vai à perdição.
12 E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta.
13 Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta.
14 ¶ Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis.
15 E disse-me: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, e multidões, e nações, e línguas.
16 E os dez chifres que viste na besta são os que odiarão a prostituta, e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo.
17 Porque Deus tem posto em seus corações, que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma idéia, e que dêem à besta o seu reino, até que se cumpram as palavras de Deus.
18 E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra.

Apocalipse 18

1 ¶ E depois destas coisas vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória.
2 E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande babilônia, e se tornou morada de demônios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável.
3 Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias.
4 E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.
5 Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniqüidades dela.
6 Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que vos deu de beber, dai-lhe a ela em dobro.
7 Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, foi-lhe outro tanto de tormento e pranto; porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto.
8 Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga.
9 ¶ E os reis da terra, que se prostituíram com ela, e viveram em delícias, a chorarão, e sobre ela prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio;
10 Estando de longe pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! ai daquela grande babilônia, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo.
11 E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém mais compra as suas mercadorias:
12 Mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlata; e toda a madeira odorífera, e todo o vaso de marfim, e todo o vaso de madeira preciosíssima, de bronze e de ferro, e de mármore;
13 E canela, e perfume, e mirra, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e gado, e ovelhas; e cavalos, e carros, e corpos e almas de homens.
14 E o fruto do desejo da tua alma foi-se de ti; e todas as coisas gostosas e excelentes se foram de ti, e não mais as acharás.
15 Os mercadores destas coisas, que com elas se enriqueceram, estarão de longe, pelo temor do seu tormento, chorando e lamentando,
16 E dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlata; e adornada com ouro e pedras preciosas e pérolas! porque numa hora foram assoladas tantas riquezas.
17 E todo o piloto, e todo o que navega em naus, e todo o marinheiro, e todos os que negociam no mar se puseram de longe;
18 E, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade?
19 E lançaram pó sobre as suas cabeças, e clamaram, chorando, e lamentando, e dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! na qual todos os que tinham naus no mar se enriqueceram em razão da sua opulência; porque numa hora foi assolada.
20 Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela.
21 E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.
22 E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flautistas, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti não se ouvirá mais;
23 E luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra; porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.
24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

Apocalipse 19

1 ¶ E, depois destas coisas ouvi no céu como que uma grande voz de uma grande multidão, que dizia: Aleluia! Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus;
2 Porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos.
3 E outra vez disseram: Aleluia! E a fumaça dela sobe para todo o sempre.
4 E os vinte e quatro anciãos, e os quatro animais, prostraram-se e adoraram a Deus, que estava assentado no trono, dizendo: Amém. Aleluia!
5 ¶ E saiu uma voz do trono, que dizia: Louvai o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, assim pequenos como grandes.
6 E ouvi como que a voz de uma grande multidão, e como que a voz de muitas águas, e como que a voz de grandes trovões, que dizia: Aleluia! pois já o Senhor Deus Todo-Poderoso reina.
7 Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.
8 E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.
9 E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.
10 E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia.
11 ¶ E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça.
12 E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo.
13 E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus.
14 E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro.
15 E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso.
16 E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores.
17 E vi um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai-vos à ceia do grande Deus;
18 Para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes.
19 E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército.
20 E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.
21 E os demais foram mortos com a espada que saía da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes.

Apocalipse 20

1 ¶ E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão.
2 Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.
3 E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.
4 E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos.
5 Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.
6 Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.
7 E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão,
8 E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha.
9 E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou.
10 E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.
11 ¶ E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.
12 E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.
13 E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.
14 E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.
15 E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo

Apocalipse 211 ¶ E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
2 E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.
3 E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.
4 E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.
5 E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis.
6 E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.
7 Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.
8 Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.
9 ¶ E veio a mim um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro.
10 E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu.
11 E tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente.
12 E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.
13 Do lado do levante tinha três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, três portas.
14 E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
15 E aquele que falava comigo tinha uma cana de ouro, para medir a cidade, e as suas portas, e o seu muro.
16 E a cidade estava situada em quadrado; e o seu comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a cidade com a cana até doze mil estádios; e o seu comprimento, largura e altura eram iguais.
17 E mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro côvados, conforme a medida de homem, que é a de um anjo.
18 E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro.
19 E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda;
20 O quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista.
21 E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade de ouro puro, como vidro transparente.
22 E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.
23 E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada.
24 E as nações dos salvos andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra.
25 E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite.
26 E a ela trarão a glória e honra das nações.
27 E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.

Apocalipse 22

1 ¶ E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.
2 No meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações.
3 E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.
4 E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome.
5 E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre.
6 ¶ E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer.
7 Eis que presto venho: Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.
8 E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar.
9 E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.
10 E disse-me: Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo.
11 Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.
12 E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra.
13 Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro.
14 Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.
15 Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira.
16 Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.
17 E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.
18 Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro;
19 E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.
20 ¶ Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus.
21 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém.
***
E agora, para encerrar, colocarei um trecho de uma música sobre esse assunto:

"...as reações em cadeia geram uma teia
Transformando em presa a população
O magma da terra super-aquecido
Cria terremotos e acende os vulcões
As placas tectônicas se movimentam
Causando maremotos e destruições
As bombas nucleares feitas de plutônio
Irão destruir a camada de ozônio
Expondo este planeta aos raios do sol
Vulnerável como peixe no anzol
A Terra que hoje canta vai estar mais triste
Vai gemer e chorar... no Apocalipse

(refrão)
No Apocalipse
Quem está na Terra
Vai entrar em guerra
Pela própria vida
No Apocalipse a Terra treme
E se mundo geme como a ferida
Que a guerra causou
Deixar a humanidade subdividida
Filho para um lado e a mãe para o outro
Sem direito ao adeus na hora da partida
(...)
Mas no A-po-ca-lipse
A Igreja estará no céu
Porque Deus não deixa
Perecer aquele que é fiel
Mas no A-po-ca-lipse
A Igreja estará no céu
Porque Deus não deixa
Perecer aquele que é fiel..."

Então?
Onde você vai estar no Apocalipse?

Férias, Férias... Elas Chegaram Afinal!

Viva!
Soltem fogos, trombetas, tudo, eu estou de férias!
Ver Harry Potter em breve, me alegrar, pular, festejar, alegria, comemoração, festa!
E não, eu não fechei meu ano com chave alguma.
E daí?
FÉÉÉÉÉÉÉÉRIAS!!!!!!!

domingo, novembro 28, 2010

Enquanto Isso, as Peripécias Amorosas Chegam a Um Ponto Crítico...

Sim eu declarei para a Marcele. Ela é a garota dos meus sonhos e tudo com que eu sempre sonhei em uma menina, ela tem. E sabe o que ela disse...:

"NÃO VAI ROLAR."

Strike Três, está fora!

Eu fiquei... normal. De certa forma eu já esperava isso. Mas eu quero fechar esse meu ano letivo pelo menos com chave de prata. E eu sei o que farei.

Ê! Eu tenho um Twitter!

Agora quem quiser falar comigo pode usar este blog ou o meu mais novo twitter:

http://twitter.com/#!/LucasoLukas

Comente! Fale! Grite! Esculhache! Sou todo ouvidos (ou seria... twittadas?)

domingo, novembro 21, 2010

Senhoras e Senhores, Apresentamos as Provas Finais!

Quarta e últina avaliação...
Exatamente amanhã começam as provas finais do meu colégio e depois delas... o fim. Da sétima série, é claro.
Boa sorte pra mim!!!!!

sábado, novembro 13, 2010

Importantes Coisas Que Eu Irei Falar

Meu coração é vermelho... agora é Dilma, é vez da mulher...

Ops. É essa musiquinha do horário eleitoral -que por sinal acabou, pois Dilma ganhou- que não sai da minha cabeça.

Este post vai falar sobre duas coisas: meu novo livro -que não é "A Batalha de Todas as Épocas"- e sobre a nova menina que por quem estou apaixonado. De novo.

Vamos ao livro!
Decidi cancelar durante algum tempo a série "Os Enviados do Futuro", devido à uma crítica severa a là Isabela Boscov do meu melhor amigo(Depois de Jesus) Mauricio. De acordo com ele -e eu concordo plenamente após ler o livro novamente- que a primeira metade do livro acerta no tom certo na comédia e na ação, mas, dépois, se perde em meio a tantas lutas exageradas e as dificuldades se tornam cada vez mais fáceis, apesar de eu achar que o final ficou BEM legal e que deixou uma excelente deixa para uma continuação.
O nome do novo livro que estou criando é "Operação SALVAÇÃO"(Um pouco clichê este título, mas foi o que melhor se encaixou e talvez eu o mude). A história do livro surgiu há alguns meses atrás, em uma conversa após uma ida ao ItCenter, aqui em Belém. Eu havia ganhado o livro "O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de La Mancha - VOLUME DOIS", do meu pai, Emanuel (Devo adimitir que eu não fiquei tão empolgado, e o livro é uma CONTINUAÇÃO, o que contribuiu para que eu o achasse uma merda). Então, nos dirigimos à Barão do Triunfo, um bairro (ou seria um quarteirão -ou uma rua-?) onde nos dirigimos a um restaurante e bar. Ficamos lá durante uma hora e meia. Conversamos um pouco e então, eu falava sobre "Os Enviados do Futuro", que ainda não havia sido terminado, e então meu pai disse:
-Sabia o que você poderia fazer, filho?
-O que, pai? -eu indaguei.
-Imagine um mundo pós-apocalíptico, onde um vírus mortal assola a terra e os governos do mundo estão deseperados para arrumar um modo de se livrar da auto-aniquilação. Então, eles reunem uma equipe cuja missão é voltar no tempo e encontrar cinco pessoas, que serão responsáveis pela salvaçaõ do Planeta. Porém, essas pessoas são bem diferentes do que eles imaginavam: uma prostituta, um traficante... enfim, então eles percebem que a missão deles será salvar a vida dessas pessoas, e assim eles aprenderão qual o valor de um ser humano. Entendeu? É uma espécie de...
-Crítica social com um toque de viagem no tempo!
-Exatamente -disse meu pai com um sorriso.
Eu não gostei tanto assim da ideia. Resolvi ignorá-la e escrever sobre mundos mágicos, viagens no tempo e a outros mundos e psicopatas sangrentos. Mas, há exatamente um mês atrás, a ideia de meu pai e a conversa com ele me voltaram à cabeça. Na época, eu estava sofrendo mais um B.I.E(Bloqueio de Imaginação e Entusiasmo) com um livro que estou fazendo no papel chamado "Atividade Suspeita". A ideia foi crescendo, crescendo... e, em breve, eu lançarei esse livro aqui no blog.

Agora, vamos às minhas sofridas e desestruturadas peripécias amorosas.
Finalmente, após um ano e meio, descobri a garota de quem gosto: Marcele. Durante todo o ano de 2010 eu estive em dúvida entre ela e a Tamires Ramalho, uma outra menina que só pensa em "A Mediadora". Após, então, olhar bem pra ela, eu percebi... que ela é perfeita. Personalidade forte, independência, inteligência. Tudo isso se encaixa nela, sem falar que ela é uma GATA (pelo menos pra mim).
Eu vou me declarar para ela essa semana.
Será que ela vai me aceitar???

quinta-feira, outubro 21, 2010

Never Say Never...

Tirando o fato do filme ser do Justin Bieber... e que será lançado em 3D...
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Eles chegaram até a esse ponto? Uma cinebiografia de um garoto de 16 anos?
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Muitos rsrsrsrsrs...
Só falta agora quererem fazer um filme brasileiro sobre a Mini Lady Gaga... em 4D.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!

sexta-feira, outubro 08, 2010

Existe Uma Coisa Muito Curiosa Sobre o Poder das Palavras...

É incrível como as palavras podem mudar coisas...
Devo adimitir que desejei me vingar do pessoal da natação na última viagem da Natação, mas como eu sou evangélico (a segunda vai ocorrer em 12 de outubro, em Aracaju, foi maus não ter escrito durante tanto tempo! Sorry :( pessoal!) é errado se vingar. PORÉM, minha mente arquitetou um plano. Um plano esplendoroso, um pouco vingativo, genial e mirabolante. Durante meses eu observei cada colega da Adesef e consegui (graças aos livros de Sherlock Holmes) descobrir os segredos e intrigas que envolvem esses meus "amigos". Bem, quase todos. Principalmente as meninas estão desconfiadas de minha pessoa e com certeza boa parte dos atletas que rem neste exato momento me matar. Porém, como eu disse ao Samuel -colega da natação com segeredo desvendado-, as pessoas não estão com raiva de mim, e sim MEDO! Medo do que eu posso ter descoberto, medo de que eu possa falar para alguém. Devem estar pensando: "Como aquele retardado pode ter descoberto o meu segredo? O que mais ele pode saber? Vamos matá-lo quando ele estiver de costas!", enfim, mas eles não sabem que isso é só a primeira fase do meu "Plano Mais-ou-Menos Vingativo", que hoje foi completada. No ônibus -é, vamos viajar de ônibus- a Segunda Fase e talvez a pior de todas, a Terceira Fase, serão completadas. Eles que aguardem pois a minha "mais ou menos vingança" está somente começando...

segunda-feira, agosto 02, 2010

Ze Colmeia: O Filme!



Confira acima o trailer do filme em live-action do clássico desenho "Zé Colmeia"!

É, ficou bem estranho e diferente do desenho.

No final do vídeo ficamos com uma pulga atrás da orelha: será que era realmente necessária uma adaptação em live-action?

No elenco estão Tom Cavanaugh (da série “Ed”) como o guarda florestal; Anna Faris (“Todo Mundo em Pânico”) interpretará uma documentarista de natureza que acompanha o urso do Parque Jellystone; Dan Aykroyd (“Caça-Fantasmas”) faz a voz do Zé Colmeia; e o cantor-ator Justin Timberlake será o Catatau (alterada, como podemos ver no trailer).

O cineasta Eric Brevig (“Viagem ao Centro da Terra”) dirige o filme que terá distribuição da Warner Bros. A fita tem roteiro escrito pela dupla Joshua Sternin e Jeffrey Ventimilia (antigos produtores-executivos da série de TV “That ’70s Show”) e revisto por Brad Copeland. A estreia dia 25 de dezembro, nos EUA. No Brasil, o lançamento acontece em 21 de janeiro de 2011.

sábado, julho 24, 2010

Primeiros capítulos exclusivos de "Os Heróis do Olimpo - Livro Um: O Herói Perdido (The Heroes of Olympus - Book One: The Lost Hero)"!

Para os fiéis fãs de Percy Jackson, aqui vão os dois primeiros capítulos da nova série de Rick Riordan, "Os Heróis do Olimpo", a continuação de PJ e os Olimpianos.

Confira!

I
Jason

Mesmo antes de ter sido eletrocutado, Jason estava tendo um dia péssimo.

Ele acordou num assento traseiro de um ônibus escolar, não muito certo de onde estava, segurando na mão de uma garota que não conhecia. Aquela não era necessariamente a parte péssima. A garota era bonita, mas não podia imaginar quem ela era ou o quê ele estava fazendo lá. Endireitou-se e esfregou seus olhos, tentando pensar.

Algumas dúzias de crianças infestavam os assentos na frente dele, escutando Ipods, falando, ou dormindo. Olhou para eles e imaginou sua idade… Quinze? Dezesseis? Ok, isso era assustador. Não sabia sua própria idade.

O ônibus ruía e chacoalhava ao longo da estrada esburacada. Fora das janelas, rolava um deserto sob um céu azul brilhante.

Jason tinha certeza de que não vivia em um deserto. Ele tentou pensar no passado… Na última coisa que recordava…

A garota apertou sua mão. “Jason, você está bem?”


Ela usava um jeans desbotado, botas para caminhada, e uma jaqueta de snowboard manchada. Seu cabelo castanho chocolate foi cortado de forma instável e irregular, com uma trança que caía um pouco mais abaixo dos ombros.

Ela não usava maquiagem, talvez estivesse tentando não chamar atenção para si; mas não funcionou. Estava com uma expressão séria. Seus olhos pareciam mudar de cor como um caleidoscópio – marrons, azuis, e verdes.

Jason largou sua mão. “Hum, eu não -”

Na frente do ônibus, um professor gritou, “Está bem, Cupcakes (bolinhos americanos personalizados), Ouçam!”

Ele com toda certeza era um treinador. Seu boné de beisebol havia sido puxado para baixo de seu cabelo, então você apenas podia ver seus olhos arredondados. Tinha um cavanhaque fino e um rosto azedo, como se tivesse acabado de comer algo estragado. Seu peito e braços musculosos estavam sendo contraídos sobre sua brilhante camisa pólo laranja.

Suas calças de Nylon para treino e seus tênis da Nike eram impecavelmente brancos. Um apito estava pendurado em seu pescoço, e um megafone tinha sido preso ao seu cinto. Poderia ser realmente assustador, senão fosse por medir em torno de cinco pés, era muito pequeno. Quando ele se levantou no corredor, um dos estudantes gritou, “Levante mais alto, treinador Hedge!”

“Eu ouvi isso!” O treinador analisou todo o ônibus a procura do ofensor. Logo em seguida, seus olhos se fixaram em Jason, e ele aprofundou ainda mais seu olhar zangado.

Jason sentiu um grande frio na espinha. Ele tinha certeza de que o treinador sabia que não era para ele estar ali. Ele iria chamá-lo, procurar saber o que ele estava fazendo naquele ônibus – e Jason não tinha a menor idéia do que dizer.

Mas o treinador Hedge apenas desviou o olhar e limpou sua garganta. “Nós vamos chegar em cinco minutos! Fiquem com seus parceiros. Não percam seus materiais escolares. E se algum de vocês, pequenos Cupcakes, causar qualquer problema nesta viagem, eu pessoalmente o mandarei de volta ao campus da pior forma possível.”

Ele pegou um bastão de beisebol e fingiu dar uma tacada para longe.

Jason olhou para a garota do seu lado. “Ele pode falar assim com a gente?”

Ela encolheu os ombros. “Sempre faz. Está é a escola Wilderness. ‘Onde as crianças são animais.’”

Ela disse aquilo como se fosse uma piadinha já partilhada por ele antes.

“Deve haver algum engano”, Jason disse. “Eu não devia estar aqui.”

Um garoto a sua frente levantou, virou-se de seu assento e riu. “Sim, está certo, Jason. Todos nós estamos enclausurados aqui! Eu tentei fugir seis vezes. Piper já até tentou roubar uma BMW.”

A menina corou. “Eu não roubei esse carro, Leo!”

“Ah, tinha me esquecido disso Piper. Qual foi a sua história mesmo? Você “conversou” com o revendedor e pediu para ele te emprestar?” Ele olhou de relance com seus olhos castanhos para Jason, como se estivesse dizendo ‘você consegue acreditar nisso?’.

Leo se parecia com um elfo latino: cabelo preto encaracolado, orelhas meio pontudas, aparência alegre, carinha de bebê, e um sorrisinho maroto que te dizia que este garoto não devia ser confiável perto de jogos da sorte ou objetos cortantes. Seus longos e bem ágeis dedos não paravam de se mover – fosse batendo no assento, ajeitando seu cabelo para trás das orelhas ou mexendo nos botões de seu casaco do exército. Ou a criança era naturalmente “hiper” ou havia misturado tanto açúcar com cafeína dentro de si que seriam capazes até de dar um ataque cardíaco num búfalo.

“De qualquer modo”, Leo disse, “Eu espero que você tenha seu material aí, porque eu usei o meu para fazer bolinhas de cuspe há alguns dias. Porque diabos está me olhando assim? Alguém desenhou no meu rosto de novo?”

“Eu não te conheço”, Jason disse.

Leo esboçou um sorriso cínico. ”Claro. Eu não sou o seu melhor amigo. Sou um clone maligno dele.”

“Leo Valdez!” O treinador Hedge berrou lá na frente. “Problemas aí atrás?”

Leo deu uma piscada pra Jason. “Veja só isso”. Ele tornou a se virar para frente. “Desculpe treinador! Estava tendo problemas para ouvi-lo. Poderia usar seu megafone, por favor?”

Dava para perceber o quanto o treinador Hedge estava satisfeito por ter uma desculpa para usar aquilo. Ele retirou o megafone do seu cinto e continuou a dar as instruções, mas sua voz saiu igual à de Darth Vader. As crianças caíram na risada. O treinador tentou novamente, mas desta vez com o megafone no máximo: “A vaca diz môo!”

As crianças uivavam, e o treinador baixou o megafone. “Valdez!”

Piper engoliu uma risada em seco. “Por Deus, Leo. Como você fez isso?”

Leo tirou uma pequena chave de fenda Phillips de seu casaco. “Eu sou um menino especial.”

“Gente, é sério”, Jason respondeu. “O que eu estou fazendo aqui? Pra onde vamos?”

Piper franziu as sobrancelhas. “Jason, está brincando?”

“Não! Eu não tenho a menor idéia-”

“Ah, fala sério, é claro que ele está brincando”, Leo disse. “Ele está tentando me fazer voltar a cair naquela do creme de barbear sobre a geléia, não é?”

Ambos olharam pra ele, Jason estava branco.

“Não, eu acho que é sério.” Piper tentou segurar sua mão novamente, mas ele afastou a sua.

“Eu sinto muito”, Ele disse. “Eu não – Eu não consigo-”

“É isto então.” O treinador Hedge berrou lá na frente. “Parece que no fundo temos muitos voluntários para limpar tudo após o almoço!”

O resto das crianças aplaudiram.

“Isso é revoltante”, Leo murmurou.

Mas Piper manteve seus olhos fixos em Jason, como se não pudesse decidir entre se ofender ou se preocupar. “Você bateu com a cabeça ou algo assim? Você realmente não sabe quem somos nós?”

Jason, ainda impotente, disse. “É pior do que isso. Não sei quem eu sou.”

O ônibus deu uma parada numa espécie de complexo vermelho, parecia um museu, só que bem no meio do nada. Talvez era isso que era: O ‘Museu Nacional de Lugar Algum’, pensou Jason. Um vento frio soprava entre no deserto. Jason não tinha prestado muita atenção em como estava vestido, mas ele não estava suficientemente aquecido: jeans e tênis, uma camiseta roxa e um casaco preto fino.

“Bom, então vamos começar um curso intensivo para amnésia”, Disse Leo, com um tom sutil que fez Jason pensar que isso não iria ser nada útil. “Estamos na escola de Wilderness” – Leo fez citações no ar com os dedos. “Que significa que somos ‘crianças malvadas’. Sua família ou o tribunal, quem quer que fosse, decidiu que causou muitos problemas, então enviarão você a está querida prisãozinha – desculpe, quis dizer ‘internato’ – Em Armpit, Nevada, onde você aprenderia habilidades da natureza bem valiosas, como correr dez milhas por dia tomando água de cactos e tecer margaridinhas em chapéus! E para fazer um treinamento bem especial e “educativo”, fazemos viagens de campo com o instrutor Hedge, que mantém a ordem com um taco de beisebol assassino. É isso, já conseguiu voltar para si agora?”

“Não.” Jason deu uma breve olhada para as outras crianças, apreensivo: vinte ao todo, talvez a metade fosse composta por meninas. Nenhum deles parecia forte o bastante ou com cara de criminoso, mas ele se perguntou o que será que eles tinham feito para serem condenados a uma escola para delinqüentes, e se perguntou por que estava junto com eles.

Leo revirou os olhos. “Você realmente quer jogar isso, hein? Ok, nós três nos iniciamos neste ano. Estamos totalmente apertados. Você normalmente faz tudo que eu digo, me dá a sua sobremesa todos os dias e além disso faz os meus trabalhos frequen -”

“Leo!” Piper disse rispidamente.

“Tudo bem. Ignore essa última parte. Mas nós somos amigos. Bem, Piper é um pouco mais do que sua amiga nessas últimas semanas -”

“Leo, pare com isso!” O rosto de Piper ficou todo vermelho. Jason podia sentir seu rosto queimando também. Pensou que iria lembrar caso estivesse saindo com uma garota como Piper.

“Ele deve estar com amnésia com algo do tipo”, disse Piper. “Temos que contar pra alguém.”

Leo ficou aborrecido. “Pra quem, pro treinador Hedge? Ele vai tentar curar o Jason lhe dando pancadas sem parar na cabeça.”

O treinador ficou a frente do grupo, berrando ordens e assoprando seu apito para manter as crianças na fila; mas durante várias vezes olhou na direção de Jason e deu um olhar zangado.

“Leo, o Jason precisa de ajuda”, Piper insistiu. “Ele tem uma concussão ou -”

“Olá, Piper.” Um dos garotos juntou-se a eles enquanto iam para o museu.

O novo garoto ficou entre Jason e Piper, empurrando Leo para trás. “Não fale com esses pés-rapados, você é minha parceira, lembra?”

O garoto novo tinha cabelos cortados no estilo Superman, um grande bronzeado, e dentes tão brancos que deveriam já vir com um aviso: ‘não olhe para isso diretamente. Pode dar cegueira permanente.’ Ele usava uma camisola de Dallas Cowboys, jeans e botas de filmes de faroeste, e sorria como se fosse um Deus para garotas e delinqüentes juvenis onde quer que fosse. Jason sentiu ódio por ele instantaneamente.

“Desaparece, Dylan”, vociferou Piper. “Eu não pedi para trabalhar com você.”

“Ah, é que não haveria outra maneira de acontecer. Este é o seu dia de sorte!” Dylan pôs seu braço em volta dela e a “arrastou” através da entrada do museu. Piper os baleou com um último olhar sobre seus ombros, como “liguem pra polícia”.

Leo esperou ele se distanciar um pouco e disse a si mesmo. “Eu detesto esse cara.” Ele colocou os braços por cima dos ombros de Jason como ele havia feito. “Eu sou Dylan. Eu sou tão descolado, queria um encontro comigo mesmo, mas não consigo descobrir como! Você deseja sair comigo em vez disso? Você será tão sortudo!”

“Leo”, Jason disse, “Você é tão estranho”

“Sim, você está dizendo que tenho sorte”. Leo disse entre os dentes. “Porque se você não se lembra de mim, isso significa que posso reutilizar todas as minhas piadas antigas. Vamos lá!”

Jason imaginou que se esse era seu melhor amigo, sua vida devia ser uma loucura total; mas ele seguiu Leo para dentro do museu.

Eles andavam na construção, porém sempre parando aqui e ali para que o instrutor Hedge desse algumas lições com seu megafone, que alternava entre o lord do cinema ou o volume máximo, tirando alguns comentários aleatórios do tipo, “O porco diz oink.”

Leo mantinha-se puxando porcas, parafusos e limpadores de tubos dos seus bolsos do casaco do exercito e depois a colocá-los novamente no lugar, como se ele tivesse que manter suas mãos ocupadas em todos os momentos.

Jason estava bem distraído e não prestou muita atenção para a exposição, mas disseram algo sobre o Grand Canyon, e sobre a tribo Hualapai, estado pertencente ao museu.

Algumas garotas mantinham seu olhar em Piper e Dylan e cochichavam. Jason imaginou que estas garotas pertenciam à panelinha das populares. Elas usavam jeans em todos os tons de rosa possíveis e maquiagem suficiente para uma festa de halloween.

Uma delas disse, “ Ei, Piper, o que sua tribo faz presa num lugar como esse? Você os libertará se fizer uma dança da chuva?”

As outras garotas riram. Até mesmo o calado parceiro de Piper, Dylan, reprimiu um sorriso.

Jason podia sentir que ela estava cerrando os punhos.

“Meus pais são de Cherokee”, Ela disse. “Não de Hualapai. Mas é claro que você precisaria de uns neurônios a mais para entender a diferença, Isabel.”

Isabel arregalou os olhos fingindo uma surpresa, e assim ficou parecendo uma coruja com dependência de maquiagem. “Oh, desculpe! Sua mãe também foi dessa tribo? Ah, esquece. Você nunca conheceu ela no fim das contas mesmo.”

Piper estava quase explodindo pra cima dela, mas antes de uma briga começar, o treinador Hedge ladrou, “Já basta aí atrás! Dêem um bom exemplo ou eu vou pegar meu taco de beisebol!”

O grupo se manteve em ordem aleatória para a próxima exibição, mas as meninas continuaram a soltar comentários sobre Piper.

“Boa demais para ser uma rés da prisão?” Uma perguntou em uma voz doce.

“Seu pai provavelmente estava sempre muito bêbado pra trabalhar”, outra disse com uma falsa simpatia. “Deve ser por isso que ela virou clepto.”

Piper ignorou-as, mas Jason estava pronto para socá-las sozinho. Ele podia não se lembrar de Piper, ou mesmo de quem ele era, mas ele sabia que odiava essas patricinhas de meia-tigela. Leo segurou seu braço. “Seja legal. Piper não gosta quando nos envolvemos em suas batalhas. Além disso, se essas meninas descobrirem a verdade sobre seu pai, ficariam tão perplexas que correriam atrás dela gritando, “Nós não somos dignas!”

“Porquê? O que tem o pai dela?”

Leo deu uma risadinha de descrença. “Você não está brincado? Você realmente não lembra que o pai da sua namorada -”

“Olhe, eu desejo muito isso, mesmo, mas ainda sequer lembro dela, muito menos do seu pai.”

Leo deu um leve assobio. “Seja como for. Vamos falar sobre isso quando voltarmos para o dormitório.”

Eles chegaram à extremidade oposta à sala de exposição, onde algumas portas de vidro levavam para o terraço lá fora.

“Ok, Cupcakes”, o treinador Hedge anunciou. “Vocês estão prestes a ver o Grand Canyon. Tentem não quebrar nada. A passarela por aqui pode sustentar o peso de setenta jatos bem grandes, portanto vocês estarão tão pesados quanto uma pluma quando estiverem lá fora. Se possível, tentem não empurrar uns aos outros sobre a borda, só me causaria mais trabalho extra pra fazer.”

O treinador abriu as portas, e todos foram feito uma manada para fora. O Grand Canyon era bem mais extenso, se visto pessoalmente. Estendia-se sobre a borda uma passarela em forma de ferradura feita de vidro, portanto você poderia ver tudo através dela.

“Cara”, Leo disse. “Esse é um grande momento.”

Jason teve de concordar. Apesar da amnésia e de seu sentimento de que ele não pertencia aquele lugar, ele não pôde deixar de ficar impressionado.

O canyon era maior e mais amplo do que se poderia ver numa foto. Eles estavam tão alto que aves voavam em círculo abaixo de seus pés. Quinhentos pés abaixo, um rio serpenteava ao longo do chão do canyon. Bancos de nuvens de tempestade se moviam sobre suas cabeças enquanto estavam lá dentro, a projeção de sombras criava faces zangadas entre o penhasco. Jason pôde ver em qualquer direção ravinas vermelhas e cinzas, que cortavam o deserto como se algum Deus maluco tivesse tido um ataque com uma faca para fazê-lo.

Jason sentiu algo penetrar seus olhos. Deuses malucos… De onde ele tirou essa idéia? Sentiu como se estivesse próximo de algo importante – algo que ele devia conhecer. Ele também sentia uma sensação inequívoca de que estava em perigo.

“Você está bem?” Leo perguntou. “Você não vai se lançar sobre a grade aí do lado vai? Neste caso eu já trouxe minha câmera.”

Jason agarrou a grade. Ele estava sentindo calafrios e suando muito, mas achava que não tinha nada a ver com as alturas. Ele pestanejou, e a dor que sentia atrás de seus olhos se acalmou.

“Estou legal”, ele respondeu. “É apenas uma dor de cabeça.”

Um trovão estrondou sobre suas cabeças. Um vento frio batia nas laterais do lugar.

“Isso não pode ser verdade.” Olhando de soslaio para as nuvens acima. “Uma tempestade direto sobre nós, já que tudo ao redor está claro. Estranho né?”

Jason olhou para cima e viu que Leo tinha razão. Um círculo negro de nuvens havia estacionado sobre a passarela, mas o resto do céu estava perfeitamente claro. Ele tinha uma sensação ruim sobre isso

“Certo Cupcakes!” o treinador Hedge berrou. Ele olhava para tempestade imaginando o grande trabalho que ela poderia dar. “Podemos ter que reduzir o tempo aqui em cima, portanto mãos à obra! Lembrem-se, frases completas!”

A tempestade estrondava, e a cabeça de Jason começou a doer novamente. Não sabia bem o que estava fazendo, mas ele chegou no seu bolso da calça jeans e retirou de lá uma moeda – um círculo de ouro do tamanho de uma moeda comum, mas mais espesso e desigual. Em um dos lados estava marcada a imagem de uma batalha com machados. O outro tinha a face de um cara enfeitado com uma coroa de louros. A inscrição dizia algo como “IVILIS”.

“Nossa, isso é de ouro?” Leo perguntou. “Estava mantendo isso longe de mim!”

Jason guardou a moeda, querendo saber como ele tinha aquilo, e porque tinha a sensação de que precisaria dela em breve.

“Não é nada”, ele disse. “É apenas uma moeda.”

Leo encolheu os ombros. Talvez sua mente agisse tão rápido quanto suas mãos. “Venha”, ele disse. “desafio você a cuspir sobre a borda.”



Eles estavam tentando fazer o dever. Por um lado, Jason podia distrair sua mente de seus próprios sentimentos confusos. Por outro lado, ele não tinha a menor idéia de como responder questões do tipo “Dê três nomes de estratos sedimentares que esteja vendo” ou “Descreva dois exemplos de erosão”.

Leo não precisava de ajuda. Estava muito ocupado criando um helicóptero com limpadores de tubos.

“Veja isto”. Ele o lançou no ar. Jason imaginava que ele ficaria leve como uma pluma, mas com toda a certeza não era. O helicóptero fez apenas um pequeno passeio antes de perder o impulso e ir espiralando para o vazio do canyon.

“Como fez aquilo?” Jason perguntou.

Leo escolheu os ombros. “Teria sido mais eficaz se eu tivesse algumas tiras de borracha.”

“Sério”, Jason disse, “Nós somos realmente amigos?”

“Até onde eu saiba.”

“Você tem certeza? Qual foi o primeiro dia em que nos conhecemos? Sobre o que falamos?”

“Isso foi…” Leo refletiu. “Eu não me lembro exatamente. Eu tenho déficit de atenção e hiperatividade cara. Você não pode esperar que eu me lembre dos detalhes.”

“Mas eu não me lembro de você, nem dos outros. Eu não me lembro de ninguém. Se -”

“Está dizendo que você tem razão e nós estamos errados?” Leo perguntou. “Acha que você simplesmente apareceu aqui está manhã, e do nada todos nós temos lembranças falsas de você?”

Uma pequena voz disse na cabeça de Jason, ‘É exatamente o que penso’.

Mas isso soou muito louco. Toda essa gente tinha aceitado numa boa a presença dele ali. Todos agiram como se ele fosse uma parte integrante do grupo – exceto pelo treinador Hedge.

“Pegue meu material.” Jason entregou os papéis para Leo. “Preciso sair um pouco lá pra atrás.”

Antes que Leo pudesse protestar, Jason estava se distanciando através da passarela.



Seu grupo da escola era o único a ocupar o lugar.

Talvez era demasiado cedo demais para os turistas, ou talvez o clima estranho os tenha afugentado. As crianças da escola Wilderness tinham se espalhado em pares sobre a passarela. A maioria deixando moedas caírem pelo meio do caminho. A uns cinqüenta metros de distância, Piper estava tentando preencher sua planilha de atividades, mas Dylan, seu parceiro estúpido, estava dando pequenos tapinhas nela, colocando sua mão em seu ombro e dando esses sorrisos de causar cegueira. Ela tentava mantê-lo longe, e quando viu Jason ela lhe deu uma olhada acelerada, e fingiu um movimento de estrangulamento próprio.

Jason a motivou com outro movimento igual. Ele foi até o treinador Hedge, que estava inclinado sobre seu taco de beisebol, estudando as nuvens de tempestade.

“Vai fazer mesmo isso?” o treinador o questionou.

Jason deu um passo para trás. “Fazer o quê?” Isso soou de forma como se o treinador estivesse falando que ele tinha feito a trovoada.

O treinador Hedge lhe deu um olhar penetrante, o brilho em seus olhos parecia dizer que ele estava no seu limite. “Não jogue jogos comigo, criança. O que está fazendo aqui e porque diabos está atrapalhando meu trabalho?”

“Quer dizer… que você não me conhece?” Jason disse. “Não sou um dos seus alunos?”

Hedge inspirou. “Nunca tinha visto você antes.”

Jason ficou tão aliviado que sentiu vontade de chorar. Pelo menos ele não estava ficando louco. Ele estava mesmo no lugar errado. “Olhe, senhor, eu não sei como vim parar aqui. Eu apenas acordei no ônibus escolar. Sinto que não devia estar aqui, mas todos sabem quem eu sou.”

“Muito bem”. A voz de Hedge soou como um murmúrio de quem estava compartilhando um segredo. “Consegue usar a névoa de forma eficiente criança, você pode ter feito todas essas pessoas pensarem que te conhecem; mas você não pode me enganar. Eu estou sentindo cheiro de monstros por dias. Eu sabia que tínhamos algum infiltrado no grupo, mas você não cheira a monstro. Seu odor é de um meio-sangue. Por isso, quem é você, e de onde veio?”

A maior parte do que o treinador disse lhe pareceu sem sentido algum, mas Jason decidiu responder honestamente. “Não sei quem eu sou. Não tenho qualquer memória. Você tem que me ajudar.”

O treinador Hedge estudou seu rosto como se estivesse tentando ler os pensamentos de Jason.

“Ótimo”, Hedge murmurou. “Você está sendo honesto.”

“É claro que estou! E que conversa foi aquela sobre monstros e meio-sangues? Estas palavras são um código ou algo assim?”

Hedge semicerrou os olhos. Parte de Jason se perguntou se o cara não tinha um parafuso a menos. Mas a outra parte queria saber mais.

“Olhe, criança”, Hedge disse, “Eu não sei quem você é, só sei o que você é e isso significa problemas. Agora eu preciso proteger três ao invés de dois. Você é o pacote especial? É isso?”

“Do que você está falando?”

Hedge olhou para a tempestade. As nuvens estavam mais espessas e escuras, pairando sobre a passarela.

“Esta manhã”, Hedge disse, “Recebi uma mensagem do acampamento. Disseram que uma equipe de extração está a caminho. Eles estão chegando para pegar um ‘pacote especial’, mas eles não me forneceram muitos detalhes. Eu pensei comigo mesmo, ‘ótimo’. Esses dois que estou observando são muito poderosos, mais antigos que a maioria. Sei que eles não estarão mais seguros aqui. Eu posso cheirar um monstro no grupo. Então subitamente imaginei que o acampamento estaria vindo aqui para pegá-los. Mas, logo em seguida, você me aparece de lugar nenhum. Então na realidade você que é o ‘pacote especial’?”

A dor que Jason sentia atrás de seus olhos estava pior do que nunca. Meio-sangues. Acampamento. Monstros. Ele ainda não sabia do que Hedge estava falando, mas as palavras agiam como se estivessem congelando seu cérebro – Como se sua mente estivesse tentando acessar informações que deveriam estar lá, mas não estavam.

Ele caiu instantaneamente e o instrutor Hedge o pegou. Para um cara pequeno, o treinador tinha mãos de aço.

“Cuidado aí, Cupcake. Você diz que ficou sem memórias hein? Ok. Terei apenas que observar você até que a equipe do acampamento chegue aqui. Vamos ter que seguir as regras do diretor.”

“Que diretor?” Jason disse. “Que acampamento?”

“Apenas espere um pouco. Reforços devem estar chegando em breve. Só espero que nada aconteça antes -”

Um raio estalou sobre suas cabeças. O vento soprava como uma vingança cruel. Papéis voaram para o Grand Canyon, e a ponte toda começou a estremecer. As crianças gritavam, tateando o chão a procura de um lugar para se segurarem.

“Eu tinha que abrir minha boca”, Hedge resmungou. Ele berrou em seu megafone: “Escutem todos! A vaca diz môo! Todo mundo pra fora da passarela!”

“Pensei que você tivesse dito que essa coisa era estável!” Jason disse sobre os ombros enquanto agüentava a pressão do vento

“Sob circunstâncias normais”, Hedge concordou, “Que com certeza não é este caso. Vamos logo!”

II
Jason

A tempestade havia formado um furacão em miniatura.

Nuvens em forma de funil serpenteavam em direção a passarela como se fossem cobras recém saídas dos cabelos da Medusa.

As crianças corriam e gritavam em direção ao edifício. O vento já havia apanhado seus notebooks, jaquetas, chapéus e mochilas. Jason escorregava lateralmente pelo piso. Leo perdeu o equilíbrio e quase caiu pelo corrimão, mas Jason agarrou seu casaco e puxou-lhe novamente.

“Valeu, cara!” Leo grito

“Vamos, vamos, vamos!” disse o treinador Hedge.

Piper e Dylan seguravam as portas, mantendo-as abertas enquanto guiavam as outras crianças pra dentro. A jaqueta de snowboard de Piper balançava brutalmente contra o vento, e seu cabelo escuro chicoteava em seu rosto. Jason pensou que ela entraria em pânico, mas estava calma e confiante – dizendo para as crianças que tudo ficaria bem, incentivando os outros a continuarem andando.

Jason, Leo, e o treinador Hedge estavam indo na direção deles, mas sempre que avançavam no caminho, o vento parecia lutar contra eles, empurrando-os de volta

Dylan e Piper empurraram mais um garoto para o interior do edifício, e logo em seguida não conseguiram mais ter forças o suficiente para manter as portas abertas. A porta bateu num estrondo, confinando-os do lado de fora, na passarela.

Piper empurrou as alças. As crianças de dentro colocavam seu peso sobre o vidro, mas as portas pareciam estar presas.

“Dylan, Ajude-me!” Piper gritou.

Dylan subitamente deu um sorriso idiota, sua camisola de Cowboys rebatendo-se com o vento, como se ele estivesse apenas apreciando a tempestade.

“Desculpe, Piper”, Ele disse. “Já terminei meu horário de ajuda.”

Ele fez um movimento com seu pulso e Piper voou para trás, soltando as portas e deslizando para o pavimento da passarela.

“Piper!” Jason tentou seguir em frente, mas o vento estava contra ele, e o treinador Hedge o puxou de volta.

“Treinador”, Jason disse, “Me deixe ir!”

“Jason, Leo, fiquem atrás de mim entenderam”, o treinador ordenou. “Esta é minha luta. Pelo menos agora já sei quem é o nosso monstro.”

“Quê?” Leo grunhiu. Um trabalho escolar mal feito atingiu-lhe a cara, mas ele o puxou para fora. “Quê monstro?”

O boné do treinador voou, e acima de seu cabelo ondulado havia dois “galos” – como naqueles desenhos animados quando um cofre ou algo assim caíam sobre a cabeça dos personagens. O treinador Hedge levantou seu taco de beisebol – mas ele não era mais um taco comum. De alguma forma ele tinha alterado seu formato, pois agora ele era um rude tronco de árvore, com alguns galhos e folhas ainda anexados.

Dylan deu um sorriso meio feliz. “Ah, qual é, treinador. Deixe o garoto me atacar! Afinal, você já está bem velho pra isso. Não é por isso que você resolveu se aposentar nessa escola estúpida? Eu estive aqui a temporada inteira, e você nem notou. Você está perdendo seu olfato, vovô.”

O treinador fez um som gutural, como um animal balindo. “É isso, cupcake. Agora você está acabado.”

“Acha que pode proteger três meio-sangues ao mesmo tempo, velho?” Dylan riu. “Boa sorte.”

Dylan apontou o dedo para Leo, e uma nuvem em forma de funil se materializou em torno dele. Leo voou pra fora da passarela, como se tivesse sido atirado. De alguma forma ele conseguiu se manter equilibrado fora do chão e bateu numa parede lateral do canyon. Ele estava escorregando, movendo seus punhos furiosamente procurando se agarrar em alguma coisa. Finalmente ele conseguiu se agarrar em uma pequena saliência, cerca de cinqüenta metros abaixo da passarela, e fixado bem suas mãos.

“SOCORRO!” ele gritou pra eles. “Uma corda, por favor? Um cabo de Bungee jumping? Algo?”

O treinador Hedge xingou e atirou seu taco para Jason. “Eu não sei quem você é criança, mas espero que seja bom. Mantenha essa coisa ocupada – Ele apontou com o polegar para Dylan – Enquanto eu vou pegar o Leo.”

“Pegá-lo como?” Jason questionou. “Você vai voando até lá?”

“Voando não, trotando.” Hedge desamarrou seus sapatos e Jason quase teve um treco. O treinador não tinha quaisquer pés. Ele tinha cascos – cascos de bode. Compreendendo um pouco melhor a situação, Jason notou que as protuberâncias em sua cabeça, que ele achava serem dois galos não eram nada daquilo. Eles eram chifres.

“Você é um fauno”, Jason disse.

“Sátiro!” Hedge disse entre os dentes. “Faunos são romanos. Mas nós falamos sobre isso depois.”

Hedge saltou sobre o corrimão. Ele trotou em direção a parede do canyon e bateu seus cascos no impacto. Pulou para baixo do penhasco com uma agilidade impossível, encontrando mais bases não muito maiores do que o seu porte, onde batia os pés com força para se firmar, esquivando-se do turbilhão de vento e atacando-o, diminuindo sua distância em direção a Leo.

“Que gracinha não é!” Dylan virou-se na direção de Jason.

“Agora é a sua vez, garoto.”

Jason jogou o taco. Parecia inútil com ventos tão fortes ao redor, mas ele voou direto para Dylan, curvando-se até mesmo quando ele tentou se esquivar, dando-lhe uma pancada forte na cabeça e o fazendo cair de joelhos.



Piper não estava tão estupefata quando apareceu. Seus dedos fechados em torno do tronco quando ele rolou até ela, mas antes que pudesse usá-lo, Dylan levantou. Sangue – sangue dourado – pingava de sua testa.

“Boa tentativa, garoto.” Ele deu um olhar penetrante em Jason. “Mas você terá que fazer melhor.”

A passarela tremia cada vez mais. Rachaduras começavam a aparecer no vidro. Dentro do museu, as crianças haviam parado de bater sobre as portas. Elas pareciam hipnotizadas, assistindo ao terror.

O corpo de Dylan se dissolvia em fumaça, como se suas moléculas estivessem se desfazendo. Ele tinha a mesma cara, o mesmo sorriso brilhante, mas todo resto havia se tornado vapor preto, girando como num redemoinho, dos seus olhos saíam faíscas elétricas, era uma nuvem de tempestade com vida. Ele projetou asas de fumaça negra e subiu acima da passarela. Se anjos pudessem ser maléficos, Jason decidiu, eles ficariam exatamente assim.

“Você é um Ventus”, Jason disse, embora não tivesse a mínima idéia de onde tinha tirado essa palavra. “Um espírito de tempestade.”

A risada de Dylan soou como uma chuva torrencial caindo sobre um telhado. “Estou satisfeito por ter esperado, semideus. Leo e Piper já me conheciam há semanas. Poderia ter matado os dois a qualquer momento. Mas minha senhora disse que um terceiro chegaria – alguém especial. Ela vai me gratificar muito por sua morte!”

Mais duas nuvens em formato de funil se materializarão em ambos os lados de Dylan, já transformados em Venti – um fantasmagórico rapaz e homem com asas de fumaça e olhos que faiscavam como relâmpagos.

Piper manteve-se abaixada, fugindo estar aturdida, com sua mão ainda segurando o taco. Seu rosto estava pálido, mas ela deu um olhar determinado para Jason, e ele compreendeu a mensagem: Mantenha-se atento. Eu vou estourar seus miolos.

Bonita, inteligente, e violenta. Jason quis lembrar que ela era mesmo sua namorada. Ele cerrou os punhos e estava pronto pra tentar o ataque, mas nunca teve uma chance.

Dylan levantou sua mão, e entre seus dedos criou-se uma espécie de arco de eletricidade, uma rajada que estourou no peito de Jason.

Bang! Jason encontrou-se caído de costas sobre uma superfície plana. Na sua boca predominava um gosto estranho, como de uma esponja de aço. Ele levantou a cabeça e viu que suas roupas estavam fumegando.

O raio tinha ido diretamente sobre seu corpo, no entanto com tamanha força que até havia explodido seu sapato do pé esquerdo. Seus dedos dos pés estavam pretos como fuligem.

O espírito de tempestade estava rindo. O vento ao seu redor rangendo. Piper estava gritando desafiadoramente, mas tudo lhe soou de forma estranha e longe.

Pelo canto do olho, Jason pôde ver o treinador Hedge escalando, com Leo sobre suas costas.

Piper estava a seus pés, desesperadamente girando a clava que ele lhe havia entregado, mantendo afastados os dois espíritos de tempestades extras, mas eles estavam apenas brincando com ela. A clava entrava direto por seus corpos como se eles não estivessem lá. E Dylan, um tornado negro com olhos, voou repentinamente na direção de Jason.

“Pare”, Jason gritou. Ele levantou-se num salto irregular a seus pés, não estando certo de quem estava mais surpreso com aquilo: ele mesmo, ou os espíritos de tempestade.

“Como você está vivo?” As asas de Dylan pararam repentinamente de bater. “Aquele relâmpago tinha força o suficiente para matar vinte homens!”

“Minha vez”, Jason disse

Ele botou a mão no bolso e retirou a moeda de ouro. Ele deixou seus instintos assumirem o controle, girando a moeda no ar como se já tivesse feito aquilo umas mil vezes. Capturou-a com sua mão, e subitamente o que ele estava segurando não era mais uma moeda, era uma espada – uma arma de dois gumes assustadoramente afiada.

O punho ajustou-se perfeitamente em seus dedos, e a coisa toda era feita de ouro – cabo, alça e lâmina.

Dylan rosnou e afastou-se. Ele olhou para seus dois companheiros e gritou, “Bem? Matem-no!”

Os outros espíritos de tempestade não ficaram felizes com essa ordem, mas eles voaram em direção a Jason, seus dedos soltando faíscas de eletricidade.

Jason foi à direção do primeiro espírito. Sua lâmina passou pelo seu corpo, e a criatura feita de fumaça se desintegrou. O segundo espírito soltou uma rajada de relâmpagos, mas a espada de Jason absorveu a carga.

Jason agiu – um rápido impulso, e o segundo espírito de tempestade se transformou em pó dourado.

Dylan gritou de indignação. Ele olhava para baixo, como se estivesse esperando seus companheiros se refazerem, mas a poeira dourada apenas se dispersava com o vento. “Impossível! Quem é você, meio-sangue?”

Piper ficou tão aturdida que baixou sua clava. “Jason, como…?”

Então o treinador Hedge saltou de volta para a passarela e descarregou Leo como se ele fosse um saco de farinha.

“Espíritos, tremam de medo!” Hedge berrou, flexionando seus braços curtos. Em seguida, olhou ao redor e percebeu que só havia Dylan.

“Maldição, garoto!” Ele disse entre os dentes para Jason. “Não deixou alguns pra mim? Eu adoro um desafio!”

Leo estava a seus pés, recuperando o fôlego. Ele parecia totalmente humilhado, suas mãos ainda sangrando pelo que havia feito nas rochas. “Ei, treinador super bode, ou sei lá o que você é – Eu apenas acabei de cair no Grand Canyon, aberração! Pare de ficar pedindo por desafios!”

Dylan sibilou pra eles, mas Jason podia ver o receio em seus olhos. “Você não tem idéia de quantos inimigos acabou de conseguir, meio-sangue. Minha senhora destruíra todos os semideuses. Está é uma guerra que não podem ganhar.”

Acima, a tempestade explodiu sob a passarela. A chuva derramou-se como um véu, e Jason teve de agachar para manter o equilíbrio.

Um buraco se abriu entre as nuvens – um vórtice que girava em preto e prata.

“Minha senhora está me chamando de volta!” Dylan gritou com alegria. “E você semideus, virá comigo!”

Ele investiu contra Jason, mas Piper acertou o monstro pelas costas. Mesmo que ele fosse feito de fumaça, de alguma forma Piper conseguiu golpeá-lo. Ambos caíram. Leo, Jason, e o treinador correram a frente para ajudar, mas o espírito gritou com raiva. Ele soltou uma torrente de vento que jogou todos para trás.

Jason e o treinador Hedge caíram sobre o solo. A espada do garoto derrapou pelo vidro. Leo bateu com a parte de trás de sua cabeça, deitando-se de lado, aturdido e gemendo.

Piper teve o pior. Ela foi jogada para trás de Dylan, e bateu na grade, caindo de lado até que estivesse pendurada por uma mão sobre o abismo.

Jason começou a correr na direção dela, mas Dylan gritou, “Eu vou dar conta ao menos deste!”

Ele pegou no braço de Leo e começou a subir, rebocando um Leo meio-consciente com ele. A tempestade soprava rápido, puxando-os para cima como um aspirador.

“Socorro!” Piper gritou. “Alguém!”

Em seguida, ela escorregou, gritando enquanto caía.

“Jason vai!” Hedge gritou. “Salve-a!”

O treinador lançou-se no espírito com alguns golpes de “bode fu” – amarrou-se no espírito com seus cascos, batendo nele para diminuir a pressão sobre o braço de Leo e soltá-lo. Leo caiu em segurança no chão, mas Dylan segurou os braços do treinador em vez disso. Hedge tentou dar-lhe uma cabeçada, ele ficou chutando-o enquanto o chamava de cupcake. Eles estavam subindo cada vez mais, ganhando velocidade.

O treinador Hedge gritou para baixo mais uma vez, “Salve-a! Eu cuido disso!” Em seguida, o sátiro e o espírito de tempestade subiram no vórtice sobre as nuvens e desapareceram.

Salvá-la? Jason pensou. Ela se foi!

Mas novamente seus instintos ganharam o controle. Ele correu para a grade, pensando ser um lunático, e saltou.



Jason não estava com medo das alturas. Ele estava com medo de ser esmagado contra o chão do canyon a quinhentos metros abaixo. Ele percebeu que não poderia fazer nada a não ser morrer junto com Piper, mas ele dobrou os braços e abaixou sua cabeça. As paredes do canyon passavam como um filme em velocidade acelerada. Sentia como se o seu rosto estivesse descascando.

Num piscar de olhos, ele pegou Piper, que caía descontroladoramente. Ele a segurou pela cintura e fechou os olhos, a espera da morte. Piper gritava. O vento assobiava nos ouvidos de Jason. Ele estava pensando, provavelmente não tão bem. Ele desejou que de alguma forma eles nunca se espatifassem lá em baixo.

De repente o vento cessou. O grito de Piper virou um suspiro estrangulado. Jason pensou que estavam mortos, mas não sentiu qualquer impacto.

“J-J-Jason”, Piper chamou.

Ele abriu os olhos. Eles não estavam caindo. Estavam flutuando no ar, cem metros acima do rio.

Ele deu um abraço apertado em Piper, e ela se endireitou e o abraçou com força também. Eles estavam nariz a nariz. Os batimentos cardíacos dele estavam acelerados, Jason podia senti-los através das suas roupas.

Sua respiração cheirava à canela. Ela disse: “Como é que você -”

“Eu não sei”, Ele disse. “Acho que gostaria de saber que eu podia voar…”

Mas, em seguida, ele pensou: eu ainda não sei quem eu sou.

Ele se imaginou indo para cima. Piper ganiu quando eles subiram mais alguns metros. Eles não estavam exatamente flutuando, Jason decidiu. Ele podia sentir a pressão sob seus pés, como se eles estivessem se equilibrando sobre um gêiser.

“O ar está nos suportando”, ele disse.

“Bem, diga a ele para nos apoiar mais! Tire-nos daqui!”

Jason olhou para baixo. A coisa mais fácil seria descer suavemente para o chão do canyon. Em seguida ele olhou para cima. A tempestade havia parado. As nuvens não pareciam tão ruins, mas ainda havia alguns relâmpagos e clarões piscando.

Não havia nenhuma garantia de que os espíritos não voltariam. Ele não tinha nenhuma idéia do que havia acontecido ao treinador Hedge. E ele havia deixado Leo lá em cima, quase inconsciente.

“Nós temos que ajudá-los”, Piper disse, como se tivesse lido seus pensamentos. “Você pode -”

“Vamos ver.” Jason pensou para cima, e instantaneamente subiu como um tiro em direção ao céu.

O fato de ele estar andando sobre os ventos podia ser bem legal sob circunstâncias diferentes, mas ele estava em completo estado de choque. Assim que pisaram na passarela, eles correram na direção de Leo.

Piper virou Leo, e ele grunhiu. Seu casaco do exercito estava encharcado da chuva. Seu cabelo encaracolado resplandecia a ouro devido ele ter rolado sobre a poeira do monstro.

Mas pelo menos ele não estava morto.

“Estúpido… feio… bode”, ele murmurou.

“Onde ele foi?” Piper perguntou.

Leo apontou pra cima. “Nunca chegou a descer. Por favor, me diga que ele realmente não salvou minha vida.”

“Duas vezes”, Jason disse.

Leo grunhiu ainda mais alto. “O que aconteceu? O garoto tornado, a espada de ouro… Eu bati minha cabeça. É isso, certo? Eu estava alucinando?

Jason tinha se esquecido da espada. Ele andou até onde há pouco tempo estava caído e a pegou. A lâmina era bem equilibrada. Tendo um pressentimento, ele somente a tocou.

Girando sobre si mesma, a espada foi encolhendo de volta para a forma de uma moeda e pulou para a palma de sua mão.

“Sim”, Leo disse. “Definitivamente alucinando.”

Piper tremia com sua roupa encharcada pela chuva. “Jason, aquelas coisas -”

“Venti”, ele disse. “Espíritos de tempestade.”

“Tudo bem. Você agiu como… Como se já tivesse visto antes. Quem é você?”

Ele balançou a cabeça. “Isso que estava tentando te dizer. Eu não sei.”

A tempestade se dissipou por completo. As outras crianças da escola Wilderness estavam olhando para fora pelas portas de vidro com horror. Guardas de segurança estavam trabalhando nas fechaduras, mas pareciam estar tendo pouca sorte.

“O treinador Hedge disse que tinha que proteger três pessoas”, Jason lembrou, “Eu acho que estava falando de nós.”

“E aquela coisa em que Dylan se transformou”… Piper estremeceu. “Deus, eu não posso acreditar que ele me atacou. Ele nos chamou de… que mesmo, semideuses?”

Leo deitou-se de costas, olhando para o céu. Ele não parecia muito ansioso para se levantar. “Não sei o que significa semi”, ele disse. “Mas eu não estou me sentindo muito bem. Vocês estão se sentindo bem?”

Houve um som quebradiço, como algo se desencaixando, e as rachaduras da passarela começaram a se alargar.

“Nós precisamos sair dessa coisa”, Jason disse. “Talvez se nós -”

“Tuuuudo bem”, Leo interrompeu. “Olhe lá pra cima e me diga se aquilo que está voando são mesmo cavalos.”

A primeira coisa que Jason pensou era que Leo havia batido a cabeça forte demais. Em seguida, ele viu uma forma escura surgir do leste de forma decrescente – muito lenta para um avião, muito grande para um pássaro. Quando chegou mais perto, dava pra ver que eram um par de animais alados – cinzentos, com quatro patas, exatamente como cavalos – exceto que cada um estava numa altura de 20 pés. E eles estavam puxando uma caixa brilhante pintada com duas rodas: uma carruagem.

“Reforços”, ele disse. “Hedge me disse que um esquadrão de extração estava vindo para nos apanhar.”

“Esquadrão de extração?” Leo lutou para pôr-se de pé. “Isso soa muito mal.”

“E para onde vão nos extrair?” Piper perguntou.

Jason assistiu como a carroça pousou na extremidade da passarela. Os cavalos voadores rosnaram nervosamente para o vidro, como se soubessem que estava perto de se quebrar. Dois adolescentes estavam na carruagem – uma garota alta e loira, talvez um pouco mais velha do que Jason e um rapaz volumoso com uma cabeça raspada e um rosto igual a uma pilha de tijolos. Ambos usavam jeans e camiseta laranja, com escudos presos sobre suas costas. A garota saltou da carroça antes mesmo dela parar de se mover. Ela puxou uma faca e correu em direção ao grupo de Jason enquanto que o cara volumoso ficou controlando os cavalos.

“Onde ele está?” exigiu saber a garota. Seus olhos cinzentos eram ferozes e um pouco brilhantes.

“Onde está quem?” Jason perguntou.

Ela franziu a testa como se sua resposta fosse inaceitável.

Em seguida, ela se virou para Leo e Piper. “E sobre Gleeson? Onde está seu protetor, Gleeson Hedge?”

O primeiro nome do treinador era Gleeson? Jason talvez risse se a manhã não tivesse sido tão assustadora. Gleeson Hedge: treinador de futebol, homem bode, protetor de semideuses. Certo. Por que não?

Leo limpou sua garganta. “Ele foi levado por… coisas tornado.”

“Venti”, Jason disse. “Espíritos de tempestade.”

A garota loira arqueou sua sobrancelha. “Você conhece os anemoi thuellai? Que é o termo grego. Quem é você, e o que aconteceu?”

Jason fez o melhor que pôde para explicar, apesar de ter sido difícil encarar aqueles intensos olhos cinzentos. Quando estava na metade da história, o outro cara da carroça veio. Ele tinha uma tatuagem de um arco-íris em seu bíceps, que parecia ser um pouco incomum.

Quando havia acabado a história, a garota loira não parecia estar satisfeita. “Não, não, não! Ela me disse que ele estaria aqui. Ela me disse que se viesse até aqui, eu encontraria a resposta.”

“Annabeth”, o careca grunhiu. “Olha só isso.” Ele apontou para os pés de Jason.

Jason não tinha pensado muito sobre isso, mas ele ainda estava sem seu sapato esquerdo, que tinha sido explodido pelo relâmpago. Sentia tudo bem com seu pé descalço, mas ele parecia um pedaço de carvão.

“O cara com um sapato”, disse o careca. “Ele é a resposta.”

“Não, Butch”, a garota insistiu. “Ele não pode ser. Eu estava enganada.” Ela olhou para o céu como se ele tivesse feito alguma coisa errada. “O que você quer de mim?” Ela gritou. “O que você fez com ele?”

A passarela tremeu, e os cavalos ganiam urgentemente.

“Annabeth”, disse o cara careca, Butch, “Temos que sair daqui. Vamos levar esses três pro acampamento e pensar sobre isso lá. Aqueles espíritos de tempestade podem voltar.”

Ela bufou por alguns instantes. “Ok.” Ela se fixou em Jason com um olhar ressentido. “Vamos resolver isso mais tarde.”

Ela virou-se sobre seu calcanhar e marchou em direção à carruagem.

Piper balançou a cabeça. “Qual o problema dela? O que está acontecendo?”

“Sério”, Leo concordou.

“Temos que tirar vocês daqui”, Butch disse. “Vou explicar tudo no caminho”

“Eu não vou a lugar algum com aquela garota.” Jason fez um gesto em direção a loira. “Ela olhou pra mim como se quisesse me matar.”

Butch hesitou. “Annabeth está bem. Você tem que lhe dar uma folga. Ela teve uma visão dizendo-lhe para vir aqui, para encontrar um cara com um sapato. Que supostamente era pra ser a resposta para o seu problema.”

“Que problema?” Piper perguntou.

“Ela está procurando por um dos nossos campistas, um que desapareceu há três dias”, disse Butch. “Ela está fora de si de preocupação. Esperava que ele estivesse aqui.”

“Quem?” Jason perguntou.

“O namorado dela”, Butch disse. “Um garoto chamado Percy Jackson.”