Harry Cartoon Potter

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Tá acabando! Em quinze de Julho it all ends...

sábado, julho 24, 2010

Primeiros capítulos exclusivos de "Os Heróis do Olimpo - Livro Um: O Herói Perdido (The Heroes of Olympus - Book One: The Lost Hero)"!

Para os fiéis fãs de Percy Jackson, aqui vão os dois primeiros capítulos da nova série de Rick Riordan, "Os Heróis do Olimpo", a continuação de PJ e os Olimpianos.

Confira!

I
Jason

Mesmo antes de ter sido eletrocutado, Jason estava tendo um dia péssimo.

Ele acordou num assento traseiro de um ônibus escolar, não muito certo de onde estava, segurando na mão de uma garota que não conhecia. Aquela não era necessariamente a parte péssima. A garota era bonita, mas não podia imaginar quem ela era ou o quê ele estava fazendo lá. Endireitou-se e esfregou seus olhos, tentando pensar.

Algumas dúzias de crianças infestavam os assentos na frente dele, escutando Ipods, falando, ou dormindo. Olhou para eles e imaginou sua idade… Quinze? Dezesseis? Ok, isso era assustador. Não sabia sua própria idade.

O ônibus ruía e chacoalhava ao longo da estrada esburacada. Fora das janelas, rolava um deserto sob um céu azul brilhante.

Jason tinha certeza de que não vivia em um deserto. Ele tentou pensar no passado… Na última coisa que recordava…

A garota apertou sua mão. “Jason, você está bem?”


Ela usava um jeans desbotado, botas para caminhada, e uma jaqueta de snowboard manchada. Seu cabelo castanho chocolate foi cortado de forma instável e irregular, com uma trança que caía um pouco mais abaixo dos ombros.

Ela não usava maquiagem, talvez estivesse tentando não chamar atenção para si; mas não funcionou. Estava com uma expressão séria. Seus olhos pareciam mudar de cor como um caleidoscópio – marrons, azuis, e verdes.

Jason largou sua mão. “Hum, eu não -”

Na frente do ônibus, um professor gritou, “Está bem, Cupcakes (bolinhos americanos personalizados), Ouçam!”

Ele com toda certeza era um treinador. Seu boné de beisebol havia sido puxado para baixo de seu cabelo, então você apenas podia ver seus olhos arredondados. Tinha um cavanhaque fino e um rosto azedo, como se tivesse acabado de comer algo estragado. Seu peito e braços musculosos estavam sendo contraídos sobre sua brilhante camisa pólo laranja.

Suas calças de Nylon para treino e seus tênis da Nike eram impecavelmente brancos. Um apito estava pendurado em seu pescoço, e um megafone tinha sido preso ao seu cinto. Poderia ser realmente assustador, senão fosse por medir em torno de cinco pés, era muito pequeno. Quando ele se levantou no corredor, um dos estudantes gritou, “Levante mais alto, treinador Hedge!”

“Eu ouvi isso!” O treinador analisou todo o ônibus a procura do ofensor. Logo em seguida, seus olhos se fixaram em Jason, e ele aprofundou ainda mais seu olhar zangado.

Jason sentiu um grande frio na espinha. Ele tinha certeza de que o treinador sabia que não era para ele estar ali. Ele iria chamá-lo, procurar saber o que ele estava fazendo naquele ônibus – e Jason não tinha a menor idéia do que dizer.

Mas o treinador Hedge apenas desviou o olhar e limpou sua garganta. “Nós vamos chegar em cinco minutos! Fiquem com seus parceiros. Não percam seus materiais escolares. E se algum de vocês, pequenos Cupcakes, causar qualquer problema nesta viagem, eu pessoalmente o mandarei de volta ao campus da pior forma possível.”

Ele pegou um bastão de beisebol e fingiu dar uma tacada para longe.

Jason olhou para a garota do seu lado. “Ele pode falar assim com a gente?”

Ela encolheu os ombros. “Sempre faz. Está é a escola Wilderness. ‘Onde as crianças são animais.’”

Ela disse aquilo como se fosse uma piadinha já partilhada por ele antes.

“Deve haver algum engano”, Jason disse. “Eu não devia estar aqui.”

Um garoto a sua frente levantou, virou-se de seu assento e riu. “Sim, está certo, Jason. Todos nós estamos enclausurados aqui! Eu tentei fugir seis vezes. Piper já até tentou roubar uma BMW.”

A menina corou. “Eu não roubei esse carro, Leo!”

“Ah, tinha me esquecido disso Piper. Qual foi a sua história mesmo? Você “conversou” com o revendedor e pediu para ele te emprestar?” Ele olhou de relance com seus olhos castanhos para Jason, como se estivesse dizendo ‘você consegue acreditar nisso?’.

Leo se parecia com um elfo latino: cabelo preto encaracolado, orelhas meio pontudas, aparência alegre, carinha de bebê, e um sorrisinho maroto que te dizia que este garoto não devia ser confiável perto de jogos da sorte ou objetos cortantes. Seus longos e bem ágeis dedos não paravam de se mover – fosse batendo no assento, ajeitando seu cabelo para trás das orelhas ou mexendo nos botões de seu casaco do exército. Ou a criança era naturalmente “hiper” ou havia misturado tanto açúcar com cafeína dentro de si que seriam capazes até de dar um ataque cardíaco num búfalo.

“De qualquer modo”, Leo disse, “Eu espero que você tenha seu material aí, porque eu usei o meu para fazer bolinhas de cuspe há alguns dias. Porque diabos está me olhando assim? Alguém desenhou no meu rosto de novo?”

“Eu não te conheço”, Jason disse.

Leo esboçou um sorriso cínico. ”Claro. Eu não sou o seu melhor amigo. Sou um clone maligno dele.”

“Leo Valdez!” O treinador Hedge berrou lá na frente. “Problemas aí atrás?”

Leo deu uma piscada pra Jason. “Veja só isso”. Ele tornou a se virar para frente. “Desculpe treinador! Estava tendo problemas para ouvi-lo. Poderia usar seu megafone, por favor?”

Dava para perceber o quanto o treinador Hedge estava satisfeito por ter uma desculpa para usar aquilo. Ele retirou o megafone do seu cinto e continuou a dar as instruções, mas sua voz saiu igual à de Darth Vader. As crianças caíram na risada. O treinador tentou novamente, mas desta vez com o megafone no máximo: “A vaca diz môo!”

As crianças uivavam, e o treinador baixou o megafone. “Valdez!”

Piper engoliu uma risada em seco. “Por Deus, Leo. Como você fez isso?”

Leo tirou uma pequena chave de fenda Phillips de seu casaco. “Eu sou um menino especial.”

“Gente, é sério”, Jason respondeu. “O que eu estou fazendo aqui? Pra onde vamos?”

Piper franziu as sobrancelhas. “Jason, está brincando?”

“Não! Eu não tenho a menor idéia-”

“Ah, fala sério, é claro que ele está brincando”, Leo disse. “Ele está tentando me fazer voltar a cair naquela do creme de barbear sobre a geléia, não é?”

Ambos olharam pra ele, Jason estava branco.

“Não, eu acho que é sério.” Piper tentou segurar sua mão novamente, mas ele afastou a sua.

“Eu sinto muito”, Ele disse. “Eu não – Eu não consigo-”

“É isto então.” O treinador Hedge berrou lá na frente. “Parece que no fundo temos muitos voluntários para limpar tudo após o almoço!”

O resto das crianças aplaudiram.

“Isso é revoltante”, Leo murmurou.

Mas Piper manteve seus olhos fixos em Jason, como se não pudesse decidir entre se ofender ou se preocupar. “Você bateu com a cabeça ou algo assim? Você realmente não sabe quem somos nós?”

Jason, ainda impotente, disse. “É pior do que isso. Não sei quem eu sou.”

O ônibus deu uma parada numa espécie de complexo vermelho, parecia um museu, só que bem no meio do nada. Talvez era isso que era: O ‘Museu Nacional de Lugar Algum’, pensou Jason. Um vento frio soprava entre no deserto. Jason não tinha prestado muita atenção em como estava vestido, mas ele não estava suficientemente aquecido: jeans e tênis, uma camiseta roxa e um casaco preto fino.

“Bom, então vamos começar um curso intensivo para amnésia”, Disse Leo, com um tom sutil que fez Jason pensar que isso não iria ser nada útil. “Estamos na escola de Wilderness” – Leo fez citações no ar com os dedos. “Que significa que somos ‘crianças malvadas’. Sua família ou o tribunal, quem quer que fosse, decidiu que causou muitos problemas, então enviarão você a está querida prisãozinha – desculpe, quis dizer ‘internato’ – Em Armpit, Nevada, onde você aprenderia habilidades da natureza bem valiosas, como correr dez milhas por dia tomando água de cactos e tecer margaridinhas em chapéus! E para fazer um treinamento bem especial e “educativo”, fazemos viagens de campo com o instrutor Hedge, que mantém a ordem com um taco de beisebol assassino. É isso, já conseguiu voltar para si agora?”

“Não.” Jason deu uma breve olhada para as outras crianças, apreensivo: vinte ao todo, talvez a metade fosse composta por meninas. Nenhum deles parecia forte o bastante ou com cara de criminoso, mas ele se perguntou o que será que eles tinham feito para serem condenados a uma escola para delinqüentes, e se perguntou por que estava junto com eles.

Leo revirou os olhos. “Você realmente quer jogar isso, hein? Ok, nós três nos iniciamos neste ano. Estamos totalmente apertados. Você normalmente faz tudo que eu digo, me dá a sua sobremesa todos os dias e além disso faz os meus trabalhos frequen -”

“Leo!” Piper disse rispidamente.

“Tudo bem. Ignore essa última parte. Mas nós somos amigos. Bem, Piper é um pouco mais do que sua amiga nessas últimas semanas -”

“Leo, pare com isso!” O rosto de Piper ficou todo vermelho. Jason podia sentir seu rosto queimando também. Pensou que iria lembrar caso estivesse saindo com uma garota como Piper.

“Ele deve estar com amnésia com algo do tipo”, disse Piper. “Temos que contar pra alguém.”

Leo ficou aborrecido. “Pra quem, pro treinador Hedge? Ele vai tentar curar o Jason lhe dando pancadas sem parar na cabeça.”

O treinador ficou a frente do grupo, berrando ordens e assoprando seu apito para manter as crianças na fila; mas durante várias vezes olhou na direção de Jason e deu um olhar zangado.

“Leo, o Jason precisa de ajuda”, Piper insistiu. “Ele tem uma concussão ou -”

“Olá, Piper.” Um dos garotos juntou-se a eles enquanto iam para o museu.

O novo garoto ficou entre Jason e Piper, empurrando Leo para trás. “Não fale com esses pés-rapados, você é minha parceira, lembra?”

O garoto novo tinha cabelos cortados no estilo Superman, um grande bronzeado, e dentes tão brancos que deveriam já vir com um aviso: ‘não olhe para isso diretamente. Pode dar cegueira permanente.’ Ele usava uma camisola de Dallas Cowboys, jeans e botas de filmes de faroeste, e sorria como se fosse um Deus para garotas e delinqüentes juvenis onde quer que fosse. Jason sentiu ódio por ele instantaneamente.

“Desaparece, Dylan”, vociferou Piper. “Eu não pedi para trabalhar com você.”

“Ah, é que não haveria outra maneira de acontecer. Este é o seu dia de sorte!” Dylan pôs seu braço em volta dela e a “arrastou” através da entrada do museu. Piper os baleou com um último olhar sobre seus ombros, como “liguem pra polícia”.

Leo esperou ele se distanciar um pouco e disse a si mesmo. “Eu detesto esse cara.” Ele colocou os braços por cima dos ombros de Jason como ele havia feito. “Eu sou Dylan. Eu sou tão descolado, queria um encontro comigo mesmo, mas não consigo descobrir como! Você deseja sair comigo em vez disso? Você será tão sortudo!”

“Leo”, Jason disse, “Você é tão estranho”

“Sim, você está dizendo que tenho sorte”. Leo disse entre os dentes. “Porque se você não se lembra de mim, isso significa que posso reutilizar todas as minhas piadas antigas. Vamos lá!”

Jason imaginou que se esse era seu melhor amigo, sua vida devia ser uma loucura total; mas ele seguiu Leo para dentro do museu.

Eles andavam na construção, porém sempre parando aqui e ali para que o instrutor Hedge desse algumas lições com seu megafone, que alternava entre o lord do cinema ou o volume máximo, tirando alguns comentários aleatórios do tipo, “O porco diz oink.”

Leo mantinha-se puxando porcas, parafusos e limpadores de tubos dos seus bolsos do casaco do exercito e depois a colocá-los novamente no lugar, como se ele tivesse que manter suas mãos ocupadas em todos os momentos.

Jason estava bem distraído e não prestou muita atenção para a exposição, mas disseram algo sobre o Grand Canyon, e sobre a tribo Hualapai, estado pertencente ao museu.

Algumas garotas mantinham seu olhar em Piper e Dylan e cochichavam. Jason imaginou que estas garotas pertenciam à panelinha das populares. Elas usavam jeans em todos os tons de rosa possíveis e maquiagem suficiente para uma festa de halloween.

Uma delas disse, “ Ei, Piper, o que sua tribo faz presa num lugar como esse? Você os libertará se fizer uma dança da chuva?”

As outras garotas riram. Até mesmo o calado parceiro de Piper, Dylan, reprimiu um sorriso.

Jason podia sentir que ela estava cerrando os punhos.

“Meus pais são de Cherokee”, Ela disse. “Não de Hualapai. Mas é claro que você precisaria de uns neurônios a mais para entender a diferença, Isabel.”

Isabel arregalou os olhos fingindo uma surpresa, e assim ficou parecendo uma coruja com dependência de maquiagem. “Oh, desculpe! Sua mãe também foi dessa tribo? Ah, esquece. Você nunca conheceu ela no fim das contas mesmo.”

Piper estava quase explodindo pra cima dela, mas antes de uma briga começar, o treinador Hedge ladrou, “Já basta aí atrás! Dêem um bom exemplo ou eu vou pegar meu taco de beisebol!”

O grupo se manteve em ordem aleatória para a próxima exibição, mas as meninas continuaram a soltar comentários sobre Piper.

“Boa demais para ser uma rés da prisão?” Uma perguntou em uma voz doce.

“Seu pai provavelmente estava sempre muito bêbado pra trabalhar”, outra disse com uma falsa simpatia. “Deve ser por isso que ela virou clepto.”

Piper ignorou-as, mas Jason estava pronto para socá-las sozinho. Ele podia não se lembrar de Piper, ou mesmo de quem ele era, mas ele sabia que odiava essas patricinhas de meia-tigela. Leo segurou seu braço. “Seja legal. Piper não gosta quando nos envolvemos em suas batalhas. Além disso, se essas meninas descobrirem a verdade sobre seu pai, ficariam tão perplexas que correriam atrás dela gritando, “Nós não somos dignas!”

“Porquê? O que tem o pai dela?”

Leo deu uma risadinha de descrença. “Você não está brincado? Você realmente não lembra que o pai da sua namorada -”

“Olhe, eu desejo muito isso, mesmo, mas ainda sequer lembro dela, muito menos do seu pai.”

Leo deu um leve assobio. “Seja como for. Vamos falar sobre isso quando voltarmos para o dormitório.”

Eles chegaram à extremidade oposta à sala de exposição, onde algumas portas de vidro levavam para o terraço lá fora.

“Ok, Cupcakes”, o treinador Hedge anunciou. “Vocês estão prestes a ver o Grand Canyon. Tentem não quebrar nada. A passarela por aqui pode sustentar o peso de setenta jatos bem grandes, portanto vocês estarão tão pesados quanto uma pluma quando estiverem lá fora. Se possível, tentem não empurrar uns aos outros sobre a borda, só me causaria mais trabalho extra pra fazer.”

O treinador abriu as portas, e todos foram feito uma manada para fora. O Grand Canyon era bem mais extenso, se visto pessoalmente. Estendia-se sobre a borda uma passarela em forma de ferradura feita de vidro, portanto você poderia ver tudo através dela.

“Cara”, Leo disse. “Esse é um grande momento.”

Jason teve de concordar. Apesar da amnésia e de seu sentimento de que ele não pertencia aquele lugar, ele não pôde deixar de ficar impressionado.

O canyon era maior e mais amplo do que se poderia ver numa foto. Eles estavam tão alto que aves voavam em círculo abaixo de seus pés. Quinhentos pés abaixo, um rio serpenteava ao longo do chão do canyon. Bancos de nuvens de tempestade se moviam sobre suas cabeças enquanto estavam lá dentro, a projeção de sombras criava faces zangadas entre o penhasco. Jason pôde ver em qualquer direção ravinas vermelhas e cinzas, que cortavam o deserto como se algum Deus maluco tivesse tido um ataque com uma faca para fazê-lo.

Jason sentiu algo penetrar seus olhos. Deuses malucos… De onde ele tirou essa idéia? Sentiu como se estivesse próximo de algo importante – algo que ele devia conhecer. Ele também sentia uma sensação inequívoca de que estava em perigo.

“Você está bem?” Leo perguntou. “Você não vai se lançar sobre a grade aí do lado vai? Neste caso eu já trouxe minha câmera.”

Jason agarrou a grade. Ele estava sentindo calafrios e suando muito, mas achava que não tinha nada a ver com as alturas. Ele pestanejou, e a dor que sentia atrás de seus olhos se acalmou.

“Estou legal”, ele respondeu. “É apenas uma dor de cabeça.”

Um trovão estrondou sobre suas cabeças. Um vento frio batia nas laterais do lugar.

“Isso não pode ser verdade.” Olhando de soslaio para as nuvens acima. “Uma tempestade direto sobre nós, já que tudo ao redor está claro. Estranho né?”

Jason olhou para cima e viu que Leo tinha razão. Um círculo negro de nuvens havia estacionado sobre a passarela, mas o resto do céu estava perfeitamente claro. Ele tinha uma sensação ruim sobre isso

“Certo Cupcakes!” o treinador Hedge berrou. Ele olhava para tempestade imaginando o grande trabalho que ela poderia dar. “Podemos ter que reduzir o tempo aqui em cima, portanto mãos à obra! Lembrem-se, frases completas!”

A tempestade estrondava, e a cabeça de Jason começou a doer novamente. Não sabia bem o que estava fazendo, mas ele chegou no seu bolso da calça jeans e retirou de lá uma moeda – um círculo de ouro do tamanho de uma moeda comum, mas mais espesso e desigual. Em um dos lados estava marcada a imagem de uma batalha com machados. O outro tinha a face de um cara enfeitado com uma coroa de louros. A inscrição dizia algo como “IVILIS”.

“Nossa, isso é de ouro?” Leo perguntou. “Estava mantendo isso longe de mim!”

Jason guardou a moeda, querendo saber como ele tinha aquilo, e porque tinha a sensação de que precisaria dela em breve.

“Não é nada”, ele disse. “É apenas uma moeda.”

Leo encolheu os ombros. Talvez sua mente agisse tão rápido quanto suas mãos. “Venha”, ele disse. “desafio você a cuspir sobre a borda.”



Eles estavam tentando fazer o dever. Por um lado, Jason podia distrair sua mente de seus próprios sentimentos confusos. Por outro lado, ele não tinha a menor idéia de como responder questões do tipo “Dê três nomes de estratos sedimentares que esteja vendo” ou “Descreva dois exemplos de erosão”.

Leo não precisava de ajuda. Estava muito ocupado criando um helicóptero com limpadores de tubos.

“Veja isto”. Ele o lançou no ar. Jason imaginava que ele ficaria leve como uma pluma, mas com toda a certeza não era. O helicóptero fez apenas um pequeno passeio antes de perder o impulso e ir espiralando para o vazio do canyon.

“Como fez aquilo?” Jason perguntou.

Leo escolheu os ombros. “Teria sido mais eficaz se eu tivesse algumas tiras de borracha.”

“Sério”, Jason disse, “Nós somos realmente amigos?”

“Até onde eu saiba.”

“Você tem certeza? Qual foi o primeiro dia em que nos conhecemos? Sobre o que falamos?”

“Isso foi…” Leo refletiu. “Eu não me lembro exatamente. Eu tenho déficit de atenção e hiperatividade cara. Você não pode esperar que eu me lembre dos detalhes.”

“Mas eu não me lembro de você, nem dos outros. Eu não me lembro de ninguém. Se -”

“Está dizendo que você tem razão e nós estamos errados?” Leo perguntou. “Acha que você simplesmente apareceu aqui está manhã, e do nada todos nós temos lembranças falsas de você?”

Uma pequena voz disse na cabeça de Jason, ‘É exatamente o que penso’.

Mas isso soou muito louco. Toda essa gente tinha aceitado numa boa a presença dele ali. Todos agiram como se ele fosse uma parte integrante do grupo – exceto pelo treinador Hedge.

“Pegue meu material.” Jason entregou os papéis para Leo. “Preciso sair um pouco lá pra atrás.”

Antes que Leo pudesse protestar, Jason estava se distanciando através da passarela.



Seu grupo da escola era o único a ocupar o lugar.

Talvez era demasiado cedo demais para os turistas, ou talvez o clima estranho os tenha afugentado. As crianças da escola Wilderness tinham se espalhado em pares sobre a passarela. A maioria deixando moedas caírem pelo meio do caminho. A uns cinqüenta metros de distância, Piper estava tentando preencher sua planilha de atividades, mas Dylan, seu parceiro estúpido, estava dando pequenos tapinhas nela, colocando sua mão em seu ombro e dando esses sorrisos de causar cegueira. Ela tentava mantê-lo longe, e quando viu Jason ela lhe deu uma olhada acelerada, e fingiu um movimento de estrangulamento próprio.

Jason a motivou com outro movimento igual. Ele foi até o treinador Hedge, que estava inclinado sobre seu taco de beisebol, estudando as nuvens de tempestade.

“Vai fazer mesmo isso?” o treinador o questionou.

Jason deu um passo para trás. “Fazer o quê?” Isso soou de forma como se o treinador estivesse falando que ele tinha feito a trovoada.

O treinador Hedge lhe deu um olhar penetrante, o brilho em seus olhos parecia dizer que ele estava no seu limite. “Não jogue jogos comigo, criança. O que está fazendo aqui e porque diabos está atrapalhando meu trabalho?”

“Quer dizer… que você não me conhece?” Jason disse. “Não sou um dos seus alunos?”

Hedge inspirou. “Nunca tinha visto você antes.”

Jason ficou tão aliviado que sentiu vontade de chorar. Pelo menos ele não estava ficando louco. Ele estava mesmo no lugar errado. “Olhe, senhor, eu não sei como vim parar aqui. Eu apenas acordei no ônibus escolar. Sinto que não devia estar aqui, mas todos sabem quem eu sou.”

“Muito bem”. A voz de Hedge soou como um murmúrio de quem estava compartilhando um segredo. “Consegue usar a névoa de forma eficiente criança, você pode ter feito todas essas pessoas pensarem que te conhecem; mas você não pode me enganar. Eu estou sentindo cheiro de monstros por dias. Eu sabia que tínhamos algum infiltrado no grupo, mas você não cheira a monstro. Seu odor é de um meio-sangue. Por isso, quem é você, e de onde veio?”

A maior parte do que o treinador disse lhe pareceu sem sentido algum, mas Jason decidiu responder honestamente. “Não sei quem eu sou. Não tenho qualquer memória. Você tem que me ajudar.”

O treinador Hedge estudou seu rosto como se estivesse tentando ler os pensamentos de Jason.

“Ótimo”, Hedge murmurou. “Você está sendo honesto.”

“É claro que estou! E que conversa foi aquela sobre monstros e meio-sangues? Estas palavras são um código ou algo assim?”

Hedge semicerrou os olhos. Parte de Jason se perguntou se o cara não tinha um parafuso a menos. Mas a outra parte queria saber mais.

“Olhe, criança”, Hedge disse, “Eu não sei quem você é, só sei o que você é e isso significa problemas. Agora eu preciso proteger três ao invés de dois. Você é o pacote especial? É isso?”

“Do que você está falando?”

Hedge olhou para a tempestade. As nuvens estavam mais espessas e escuras, pairando sobre a passarela.

“Esta manhã”, Hedge disse, “Recebi uma mensagem do acampamento. Disseram que uma equipe de extração está a caminho. Eles estão chegando para pegar um ‘pacote especial’, mas eles não me forneceram muitos detalhes. Eu pensei comigo mesmo, ‘ótimo’. Esses dois que estou observando são muito poderosos, mais antigos que a maioria. Sei que eles não estarão mais seguros aqui. Eu posso cheirar um monstro no grupo. Então subitamente imaginei que o acampamento estaria vindo aqui para pegá-los. Mas, logo em seguida, você me aparece de lugar nenhum. Então na realidade você que é o ‘pacote especial’?”

A dor que Jason sentia atrás de seus olhos estava pior do que nunca. Meio-sangues. Acampamento. Monstros. Ele ainda não sabia do que Hedge estava falando, mas as palavras agiam como se estivessem congelando seu cérebro – Como se sua mente estivesse tentando acessar informações que deveriam estar lá, mas não estavam.

Ele caiu instantaneamente e o instrutor Hedge o pegou. Para um cara pequeno, o treinador tinha mãos de aço.

“Cuidado aí, Cupcake. Você diz que ficou sem memórias hein? Ok. Terei apenas que observar você até que a equipe do acampamento chegue aqui. Vamos ter que seguir as regras do diretor.”

“Que diretor?” Jason disse. “Que acampamento?”

“Apenas espere um pouco. Reforços devem estar chegando em breve. Só espero que nada aconteça antes -”

Um raio estalou sobre suas cabeças. O vento soprava como uma vingança cruel. Papéis voaram para o Grand Canyon, e a ponte toda começou a estremecer. As crianças gritavam, tateando o chão a procura de um lugar para se segurarem.

“Eu tinha que abrir minha boca”, Hedge resmungou. Ele berrou em seu megafone: “Escutem todos! A vaca diz môo! Todo mundo pra fora da passarela!”

“Pensei que você tivesse dito que essa coisa era estável!” Jason disse sobre os ombros enquanto agüentava a pressão do vento

“Sob circunstâncias normais”, Hedge concordou, “Que com certeza não é este caso. Vamos logo!”

II
Jason

A tempestade havia formado um furacão em miniatura.

Nuvens em forma de funil serpenteavam em direção a passarela como se fossem cobras recém saídas dos cabelos da Medusa.

As crianças corriam e gritavam em direção ao edifício. O vento já havia apanhado seus notebooks, jaquetas, chapéus e mochilas. Jason escorregava lateralmente pelo piso. Leo perdeu o equilíbrio e quase caiu pelo corrimão, mas Jason agarrou seu casaco e puxou-lhe novamente.

“Valeu, cara!” Leo grito

“Vamos, vamos, vamos!” disse o treinador Hedge.

Piper e Dylan seguravam as portas, mantendo-as abertas enquanto guiavam as outras crianças pra dentro. A jaqueta de snowboard de Piper balançava brutalmente contra o vento, e seu cabelo escuro chicoteava em seu rosto. Jason pensou que ela entraria em pânico, mas estava calma e confiante – dizendo para as crianças que tudo ficaria bem, incentivando os outros a continuarem andando.

Jason, Leo, e o treinador Hedge estavam indo na direção deles, mas sempre que avançavam no caminho, o vento parecia lutar contra eles, empurrando-os de volta

Dylan e Piper empurraram mais um garoto para o interior do edifício, e logo em seguida não conseguiram mais ter forças o suficiente para manter as portas abertas. A porta bateu num estrondo, confinando-os do lado de fora, na passarela.

Piper empurrou as alças. As crianças de dentro colocavam seu peso sobre o vidro, mas as portas pareciam estar presas.

“Dylan, Ajude-me!” Piper gritou.

Dylan subitamente deu um sorriso idiota, sua camisola de Cowboys rebatendo-se com o vento, como se ele estivesse apenas apreciando a tempestade.

“Desculpe, Piper”, Ele disse. “Já terminei meu horário de ajuda.”

Ele fez um movimento com seu pulso e Piper voou para trás, soltando as portas e deslizando para o pavimento da passarela.

“Piper!” Jason tentou seguir em frente, mas o vento estava contra ele, e o treinador Hedge o puxou de volta.

“Treinador”, Jason disse, “Me deixe ir!”

“Jason, Leo, fiquem atrás de mim entenderam”, o treinador ordenou. “Esta é minha luta. Pelo menos agora já sei quem é o nosso monstro.”

“Quê?” Leo grunhiu. Um trabalho escolar mal feito atingiu-lhe a cara, mas ele o puxou para fora. “Quê monstro?”

O boné do treinador voou, e acima de seu cabelo ondulado havia dois “galos” – como naqueles desenhos animados quando um cofre ou algo assim caíam sobre a cabeça dos personagens. O treinador Hedge levantou seu taco de beisebol – mas ele não era mais um taco comum. De alguma forma ele tinha alterado seu formato, pois agora ele era um rude tronco de árvore, com alguns galhos e folhas ainda anexados.

Dylan deu um sorriso meio feliz. “Ah, qual é, treinador. Deixe o garoto me atacar! Afinal, você já está bem velho pra isso. Não é por isso que você resolveu se aposentar nessa escola estúpida? Eu estive aqui a temporada inteira, e você nem notou. Você está perdendo seu olfato, vovô.”

O treinador fez um som gutural, como um animal balindo. “É isso, cupcake. Agora você está acabado.”

“Acha que pode proteger três meio-sangues ao mesmo tempo, velho?” Dylan riu. “Boa sorte.”

Dylan apontou o dedo para Leo, e uma nuvem em forma de funil se materializou em torno dele. Leo voou pra fora da passarela, como se tivesse sido atirado. De alguma forma ele conseguiu se manter equilibrado fora do chão e bateu numa parede lateral do canyon. Ele estava escorregando, movendo seus punhos furiosamente procurando se agarrar em alguma coisa. Finalmente ele conseguiu se agarrar em uma pequena saliência, cerca de cinqüenta metros abaixo da passarela, e fixado bem suas mãos.

“SOCORRO!” ele gritou pra eles. “Uma corda, por favor? Um cabo de Bungee jumping? Algo?”

O treinador Hedge xingou e atirou seu taco para Jason. “Eu não sei quem você é criança, mas espero que seja bom. Mantenha essa coisa ocupada – Ele apontou com o polegar para Dylan – Enquanto eu vou pegar o Leo.”

“Pegá-lo como?” Jason questionou. “Você vai voando até lá?”

“Voando não, trotando.” Hedge desamarrou seus sapatos e Jason quase teve um treco. O treinador não tinha quaisquer pés. Ele tinha cascos – cascos de bode. Compreendendo um pouco melhor a situação, Jason notou que as protuberâncias em sua cabeça, que ele achava serem dois galos não eram nada daquilo. Eles eram chifres.

“Você é um fauno”, Jason disse.

“Sátiro!” Hedge disse entre os dentes. “Faunos são romanos. Mas nós falamos sobre isso depois.”

Hedge saltou sobre o corrimão. Ele trotou em direção a parede do canyon e bateu seus cascos no impacto. Pulou para baixo do penhasco com uma agilidade impossível, encontrando mais bases não muito maiores do que o seu porte, onde batia os pés com força para se firmar, esquivando-se do turbilhão de vento e atacando-o, diminuindo sua distância em direção a Leo.

“Que gracinha não é!” Dylan virou-se na direção de Jason.

“Agora é a sua vez, garoto.”

Jason jogou o taco. Parecia inútil com ventos tão fortes ao redor, mas ele voou direto para Dylan, curvando-se até mesmo quando ele tentou se esquivar, dando-lhe uma pancada forte na cabeça e o fazendo cair de joelhos.



Piper não estava tão estupefata quando apareceu. Seus dedos fechados em torno do tronco quando ele rolou até ela, mas antes que pudesse usá-lo, Dylan levantou. Sangue – sangue dourado – pingava de sua testa.

“Boa tentativa, garoto.” Ele deu um olhar penetrante em Jason. “Mas você terá que fazer melhor.”

A passarela tremia cada vez mais. Rachaduras começavam a aparecer no vidro. Dentro do museu, as crianças haviam parado de bater sobre as portas. Elas pareciam hipnotizadas, assistindo ao terror.

O corpo de Dylan se dissolvia em fumaça, como se suas moléculas estivessem se desfazendo. Ele tinha a mesma cara, o mesmo sorriso brilhante, mas todo resto havia se tornado vapor preto, girando como num redemoinho, dos seus olhos saíam faíscas elétricas, era uma nuvem de tempestade com vida. Ele projetou asas de fumaça negra e subiu acima da passarela. Se anjos pudessem ser maléficos, Jason decidiu, eles ficariam exatamente assim.

“Você é um Ventus”, Jason disse, embora não tivesse a mínima idéia de onde tinha tirado essa palavra. “Um espírito de tempestade.”

A risada de Dylan soou como uma chuva torrencial caindo sobre um telhado. “Estou satisfeito por ter esperado, semideus. Leo e Piper já me conheciam há semanas. Poderia ter matado os dois a qualquer momento. Mas minha senhora disse que um terceiro chegaria – alguém especial. Ela vai me gratificar muito por sua morte!”

Mais duas nuvens em formato de funil se materializarão em ambos os lados de Dylan, já transformados em Venti – um fantasmagórico rapaz e homem com asas de fumaça e olhos que faiscavam como relâmpagos.

Piper manteve-se abaixada, fugindo estar aturdida, com sua mão ainda segurando o taco. Seu rosto estava pálido, mas ela deu um olhar determinado para Jason, e ele compreendeu a mensagem: Mantenha-se atento. Eu vou estourar seus miolos.

Bonita, inteligente, e violenta. Jason quis lembrar que ela era mesmo sua namorada. Ele cerrou os punhos e estava pronto pra tentar o ataque, mas nunca teve uma chance.

Dylan levantou sua mão, e entre seus dedos criou-se uma espécie de arco de eletricidade, uma rajada que estourou no peito de Jason.

Bang! Jason encontrou-se caído de costas sobre uma superfície plana. Na sua boca predominava um gosto estranho, como de uma esponja de aço. Ele levantou a cabeça e viu que suas roupas estavam fumegando.

O raio tinha ido diretamente sobre seu corpo, no entanto com tamanha força que até havia explodido seu sapato do pé esquerdo. Seus dedos dos pés estavam pretos como fuligem.

O espírito de tempestade estava rindo. O vento ao seu redor rangendo. Piper estava gritando desafiadoramente, mas tudo lhe soou de forma estranha e longe.

Pelo canto do olho, Jason pôde ver o treinador Hedge escalando, com Leo sobre suas costas.

Piper estava a seus pés, desesperadamente girando a clava que ele lhe havia entregado, mantendo afastados os dois espíritos de tempestades extras, mas eles estavam apenas brincando com ela. A clava entrava direto por seus corpos como se eles não estivessem lá. E Dylan, um tornado negro com olhos, voou repentinamente na direção de Jason.

“Pare”, Jason gritou. Ele levantou-se num salto irregular a seus pés, não estando certo de quem estava mais surpreso com aquilo: ele mesmo, ou os espíritos de tempestade.

“Como você está vivo?” As asas de Dylan pararam repentinamente de bater. “Aquele relâmpago tinha força o suficiente para matar vinte homens!”

“Minha vez”, Jason disse

Ele botou a mão no bolso e retirou a moeda de ouro. Ele deixou seus instintos assumirem o controle, girando a moeda no ar como se já tivesse feito aquilo umas mil vezes. Capturou-a com sua mão, e subitamente o que ele estava segurando não era mais uma moeda, era uma espada – uma arma de dois gumes assustadoramente afiada.

O punho ajustou-se perfeitamente em seus dedos, e a coisa toda era feita de ouro – cabo, alça e lâmina.

Dylan rosnou e afastou-se. Ele olhou para seus dois companheiros e gritou, “Bem? Matem-no!”

Os outros espíritos de tempestade não ficaram felizes com essa ordem, mas eles voaram em direção a Jason, seus dedos soltando faíscas de eletricidade.

Jason foi à direção do primeiro espírito. Sua lâmina passou pelo seu corpo, e a criatura feita de fumaça se desintegrou. O segundo espírito soltou uma rajada de relâmpagos, mas a espada de Jason absorveu a carga.

Jason agiu – um rápido impulso, e o segundo espírito de tempestade se transformou em pó dourado.

Dylan gritou de indignação. Ele olhava para baixo, como se estivesse esperando seus companheiros se refazerem, mas a poeira dourada apenas se dispersava com o vento. “Impossível! Quem é você, meio-sangue?”

Piper ficou tão aturdida que baixou sua clava. “Jason, como…?”

Então o treinador Hedge saltou de volta para a passarela e descarregou Leo como se ele fosse um saco de farinha.

“Espíritos, tremam de medo!” Hedge berrou, flexionando seus braços curtos. Em seguida, olhou ao redor e percebeu que só havia Dylan.

“Maldição, garoto!” Ele disse entre os dentes para Jason. “Não deixou alguns pra mim? Eu adoro um desafio!”

Leo estava a seus pés, recuperando o fôlego. Ele parecia totalmente humilhado, suas mãos ainda sangrando pelo que havia feito nas rochas. “Ei, treinador super bode, ou sei lá o que você é – Eu apenas acabei de cair no Grand Canyon, aberração! Pare de ficar pedindo por desafios!”

Dylan sibilou pra eles, mas Jason podia ver o receio em seus olhos. “Você não tem idéia de quantos inimigos acabou de conseguir, meio-sangue. Minha senhora destruíra todos os semideuses. Está é uma guerra que não podem ganhar.”

Acima, a tempestade explodiu sob a passarela. A chuva derramou-se como um véu, e Jason teve de agachar para manter o equilíbrio.

Um buraco se abriu entre as nuvens – um vórtice que girava em preto e prata.

“Minha senhora está me chamando de volta!” Dylan gritou com alegria. “E você semideus, virá comigo!”

Ele investiu contra Jason, mas Piper acertou o monstro pelas costas. Mesmo que ele fosse feito de fumaça, de alguma forma Piper conseguiu golpeá-lo. Ambos caíram. Leo, Jason, e o treinador correram a frente para ajudar, mas o espírito gritou com raiva. Ele soltou uma torrente de vento que jogou todos para trás.

Jason e o treinador Hedge caíram sobre o solo. A espada do garoto derrapou pelo vidro. Leo bateu com a parte de trás de sua cabeça, deitando-se de lado, aturdido e gemendo.

Piper teve o pior. Ela foi jogada para trás de Dylan, e bateu na grade, caindo de lado até que estivesse pendurada por uma mão sobre o abismo.

Jason começou a correr na direção dela, mas Dylan gritou, “Eu vou dar conta ao menos deste!”

Ele pegou no braço de Leo e começou a subir, rebocando um Leo meio-consciente com ele. A tempestade soprava rápido, puxando-os para cima como um aspirador.

“Socorro!” Piper gritou. “Alguém!”

Em seguida, ela escorregou, gritando enquanto caía.

“Jason vai!” Hedge gritou. “Salve-a!”

O treinador lançou-se no espírito com alguns golpes de “bode fu” – amarrou-se no espírito com seus cascos, batendo nele para diminuir a pressão sobre o braço de Leo e soltá-lo. Leo caiu em segurança no chão, mas Dylan segurou os braços do treinador em vez disso. Hedge tentou dar-lhe uma cabeçada, ele ficou chutando-o enquanto o chamava de cupcake. Eles estavam subindo cada vez mais, ganhando velocidade.

O treinador Hedge gritou para baixo mais uma vez, “Salve-a! Eu cuido disso!” Em seguida, o sátiro e o espírito de tempestade subiram no vórtice sobre as nuvens e desapareceram.

Salvá-la? Jason pensou. Ela se foi!

Mas novamente seus instintos ganharam o controle. Ele correu para a grade, pensando ser um lunático, e saltou.



Jason não estava com medo das alturas. Ele estava com medo de ser esmagado contra o chão do canyon a quinhentos metros abaixo. Ele percebeu que não poderia fazer nada a não ser morrer junto com Piper, mas ele dobrou os braços e abaixou sua cabeça. As paredes do canyon passavam como um filme em velocidade acelerada. Sentia como se o seu rosto estivesse descascando.

Num piscar de olhos, ele pegou Piper, que caía descontroladoramente. Ele a segurou pela cintura e fechou os olhos, a espera da morte. Piper gritava. O vento assobiava nos ouvidos de Jason. Ele estava pensando, provavelmente não tão bem. Ele desejou que de alguma forma eles nunca se espatifassem lá em baixo.

De repente o vento cessou. O grito de Piper virou um suspiro estrangulado. Jason pensou que estavam mortos, mas não sentiu qualquer impacto.

“J-J-Jason”, Piper chamou.

Ele abriu os olhos. Eles não estavam caindo. Estavam flutuando no ar, cem metros acima do rio.

Ele deu um abraço apertado em Piper, e ela se endireitou e o abraçou com força também. Eles estavam nariz a nariz. Os batimentos cardíacos dele estavam acelerados, Jason podia senti-los através das suas roupas.

Sua respiração cheirava à canela. Ela disse: “Como é que você -”

“Eu não sei”, Ele disse. “Acho que gostaria de saber que eu podia voar…”

Mas, em seguida, ele pensou: eu ainda não sei quem eu sou.

Ele se imaginou indo para cima. Piper ganiu quando eles subiram mais alguns metros. Eles não estavam exatamente flutuando, Jason decidiu. Ele podia sentir a pressão sob seus pés, como se eles estivessem se equilibrando sobre um gêiser.

“O ar está nos suportando”, ele disse.

“Bem, diga a ele para nos apoiar mais! Tire-nos daqui!”

Jason olhou para baixo. A coisa mais fácil seria descer suavemente para o chão do canyon. Em seguida ele olhou para cima. A tempestade havia parado. As nuvens não pareciam tão ruins, mas ainda havia alguns relâmpagos e clarões piscando.

Não havia nenhuma garantia de que os espíritos não voltariam. Ele não tinha nenhuma idéia do que havia acontecido ao treinador Hedge. E ele havia deixado Leo lá em cima, quase inconsciente.

“Nós temos que ajudá-los”, Piper disse, como se tivesse lido seus pensamentos. “Você pode -”

“Vamos ver.” Jason pensou para cima, e instantaneamente subiu como um tiro em direção ao céu.

O fato de ele estar andando sobre os ventos podia ser bem legal sob circunstâncias diferentes, mas ele estava em completo estado de choque. Assim que pisaram na passarela, eles correram na direção de Leo.

Piper virou Leo, e ele grunhiu. Seu casaco do exercito estava encharcado da chuva. Seu cabelo encaracolado resplandecia a ouro devido ele ter rolado sobre a poeira do monstro.

Mas pelo menos ele não estava morto.

“Estúpido… feio… bode”, ele murmurou.

“Onde ele foi?” Piper perguntou.

Leo apontou pra cima. “Nunca chegou a descer. Por favor, me diga que ele realmente não salvou minha vida.”

“Duas vezes”, Jason disse.

Leo grunhiu ainda mais alto. “O que aconteceu? O garoto tornado, a espada de ouro… Eu bati minha cabeça. É isso, certo? Eu estava alucinando?

Jason tinha se esquecido da espada. Ele andou até onde há pouco tempo estava caído e a pegou. A lâmina era bem equilibrada. Tendo um pressentimento, ele somente a tocou.

Girando sobre si mesma, a espada foi encolhendo de volta para a forma de uma moeda e pulou para a palma de sua mão.

“Sim”, Leo disse. “Definitivamente alucinando.”

Piper tremia com sua roupa encharcada pela chuva. “Jason, aquelas coisas -”

“Venti”, ele disse. “Espíritos de tempestade.”

“Tudo bem. Você agiu como… Como se já tivesse visto antes. Quem é você?”

Ele balançou a cabeça. “Isso que estava tentando te dizer. Eu não sei.”

A tempestade se dissipou por completo. As outras crianças da escola Wilderness estavam olhando para fora pelas portas de vidro com horror. Guardas de segurança estavam trabalhando nas fechaduras, mas pareciam estar tendo pouca sorte.

“O treinador Hedge disse que tinha que proteger três pessoas”, Jason lembrou, “Eu acho que estava falando de nós.”

“E aquela coisa em que Dylan se transformou”… Piper estremeceu. “Deus, eu não posso acreditar que ele me atacou. Ele nos chamou de… que mesmo, semideuses?”

Leo deitou-se de costas, olhando para o céu. Ele não parecia muito ansioso para se levantar. “Não sei o que significa semi”, ele disse. “Mas eu não estou me sentindo muito bem. Vocês estão se sentindo bem?”

Houve um som quebradiço, como algo se desencaixando, e as rachaduras da passarela começaram a se alargar.

“Nós precisamos sair dessa coisa”, Jason disse. “Talvez se nós -”

“Tuuuudo bem”, Leo interrompeu. “Olhe lá pra cima e me diga se aquilo que está voando são mesmo cavalos.”

A primeira coisa que Jason pensou era que Leo havia batido a cabeça forte demais. Em seguida, ele viu uma forma escura surgir do leste de forma decrescente – muito lenta para um avião, muito grande para um pássaro. Quando chegou mais perto, dava pra ver que eram um par de animais alados – cinzentos, com quatro patas, exatamente como cavalos – exceto que cada um estava numa altura de 20 pés. E eles estavam puxando uma caixa brilhante pintada com duas rodas: uma carruagem.

“Reforços”, ele disse. “Hedge me disse que um esquadrão de extração estava vindo para nos apanhar.”

“Esquadrão de extração?” Leo lutou para pôr-se de pé. “Isso soa muito mal.”

“E para onde vão nos extrair?” Piper perguntou.

Jason assistiu como a carroça pousou na extremidade da passarela. Os cavalos voadores rosnaram nervosamente para o vidro, como se soubessem que estava perto de se quebrar. Dois adolescentes estavam na carruagem – uma garota alta e loira, talvez um pouco mais velha do que Jason e um rapaz volumoso com uma cabeça raspada e um rosto igual a uma pilha de tijolos. Ambos usavam jeans e camiseta laranja, com escudos presos sobre suas costas. A garota saltou da carroça antes mesmo dela parar de se mover. Ela puxou uma faca e correu em direção ao grupo de Jason enquanto que o cara volumoso ficou controlando os cavalos.

“Onde ele está?” exigiu saber a garota. Seus olhos cinzentos eram ferozes e um pouco brilhantes.

“Onde está quem?” Jason perguntou.

Ela franziu a testa como se sua resposta fosse inaceitável.

Em seguida, ela se virou para Leo e Piper. “E sobre Gleeson? Onde está seu protetor, Gleeson Hedge?”

O primeiro nome do treinador era Gleeson? Jason talvez risse se a manhã não tivesse sido tão assustadora. Gleeson Hedge: treinador de futebol, homem bode, protetor de semideuses. Certo. Por que não?

Leo limpou sua garganta. “Ele foi levado por… coisas tornado.”

“Venti”, Jason disse. “Espíritos de tempestade.”

A garota loira arqueou sua sobrancelha. “Você conhece os anemoi thuellai? Que é o termo grego. Quem é você, e o que aconteceu?”

Jason fez o melhor que pôde para explicar, apesar de ter sido difícil encarar aqueles intensos olhos cinzentos. Quando estava na metade da história, o outro cara da carroça veio. Ele tinha uma tatuagem de um arco-íris em seu bíceps, que parecia ser um pouco incomum.

Quando havia acabado a história, a garota loira não parecia estar satisfeita. “Não, não, não! Ela me disse que ele estaria aqui. Ela me disse que se viesse até aqui, eu encontraria a resposta.”

“Annabeth”, o careca grunhiu. “Olha só isso.” Ele apontou para os pés de Jason.

Jason não tinha pensado muito sobre isso, mas ele ainda estava sem seu sapato esquerdo, que tinha sido explodido pelo relâmpago. Sentia tudo bem com seu pé descalço, mas ele parecia um pedaço de carvão.

“O cara com um sapato”, disse o careca. “Ele é a resposta.”

“Não, Butch”, a garota insistiu. “Ele não pode ser. Eu estava enganada.” Ela olhou para o céu como se ele tivesse feito alguma coisa errada. “O que você quer de mim?” Ela gritou. “O que você fez com ele?”

A passarela tremeu, e os cavalos ganiam urgentemente.

“Annabeth”, disse o cara careca, Butch, “Temos que sair daqui. Vamos levar esses três pro acampamento e pensar sobre isso lá. Aqueles espíritos de tempestade podem voltar.”

Ela bufou por alguns instantes. “Ok.” Ela se fixou em Jason com um olhar ressentido. “Vamos resolver isso mais tarde.”

Ela virou-se sobre seu calcanhar e marchou em direção à carruagem.

Piper balançou a cabeça. “Qual o problema dela? O que está acontecendo?”

“Sério”, Leo concordou.

“Temos que tirar vocês daqui”, Butch disse. “Vou explicar tudo no caminho”

“Eu não vou a lugar algum com aquela garota.” Jason fez um gesto em direção a loira. “Ela olhou pra mim como se quisesse me matar.”

Butch hesitou. “Annabeth está bem. Você tem que lhe dar uma folga. Ela teve uma visão dizendo-lhe para vir aqui, para encontrar um cara com um sapato. Que supostamente era pra ser a resposta para o seu problema.”

“Que problema?” Piper perguntou.

“Ela está procurando por um dos nossos campistas, um que desapareceu há três dias”, disse Butch. “Ela está fora de si de preocupação. Esperava que ele estivesse aqui.”

“Quem?” Jason perguntou.

“O namorado dela”, Butch disse. “Um garoto chamado Percy Jackson.”

segunda-feira, julho 19, 2010

Um Exemplo de Crítica

Nesse post colocarei um exemplo da crítica do meu site, Cinema com Rapadura. O filme é "A Saga Crepúsculo: Eclipse":

A SAGA CREPÚSCULO: ECLIPSE.

No terceiro capítulo da... "saga", temos até algumas cenas de ação, mas as situações embaraçosas atingem um novo patamar.

Escrita por: Thiago Siqueira

NOTA PARA O FILME: 4

Não há como fugir, “A Saga Crepúsculo – Eclipse” é um filme ruim. Não é tão desastroso quanto o primeiro “Crepúsculo”, mas chega bem perto. É incrível como o longa é truncado, sem ritmo e, por muitas vezes, tedioso e monótono. O pior é que este está sendo vendido como a fita que trará adrenalina para a série, algo que simplesmente não ocorre.

Qualquer esperança que alguém tinha de que o diretor David Slade (que vinha de dois bons filmes, “MeninaMá.com” e “30 Dias de Noite”) em trazer sangue novo para a franquia se perdem logo após a segunda cena. Após um início tenso, o longa volta para o lenga-lenga entre Edward (Robert Pattinson) e Bella (Kristen Stewart) e a velha discussão sobre ela virar ou não vampira.

O que ainda tenta dar um pouco de ânimo ao filme é o triângulo amoroso envolvendo o casal principal e o lobisomem Jacob (Taylor Lautner), com algumas cenas que realmente possuem algum investimento emocional, principalmente aquelas envolvendo só a garota e o jovem licantropo.

No entanto, TODA VEZ que Edward aparece em cena, qualquer química vai por água abaixo, já que Pattinson simplesmente não atua, mais parecendo um boneco de cera em frente às câmeras. Nas cenas envolvendo o trio, o galã britânico quase que desaparece em cena frente a Taylor Lautner que, mesmo não sendo um novo Warren Beatty, ao menos é carismático e acaba roubando o filme para si.

Sou capaz de jurar que em uma cena envolvendo Edward, Jacob e uma Bella desacordada, deram o roteiro de “O Segredo de Brokeback Mountain” para Pattinson ao invés do de “Eclipse”, pois só isso explica o clima homoerótico que ele parece querer colocar em seu diálogo com o rival!

Bella, aliás, está mais insuportável do que nunca. Além do irritante ar eternamente blasé que Kristen Stewart adotou para a protagonista desde a fita passada, as ações da personagem se resumem em suspirar por Edward, provocar suspiros em Jacob, aparentar indecisão em momentos difíceis ou tomar decisões estúpidas. Continuo achando que a queridinha de Forks possui sérios transtornos psicológicos e deve ir procurar tratamento profissional o mais rápido possível!

Qualquer outra plot mais interessante, como a ameaça de Victoria (Bryce Dallas Howard) ou até mesmo o próprio dilema de Bella perde força justamente por conta das inserções de Edward na trama. Devo dizer que o roteiro de Melissa Rosenberg é terrivelmente mal-costurado, enfiando sucessivas subtramas indiscriminadamente no texto, mais parecendo uma colcha de retalhos com diálogos cafonas do que uma narrativa coerente.

Existem “paradas” no meio da história principal que jamais interagem de maneira orgânica com ela e geralmente envolvem diálogos expositivos ou pequenas “origens” dos coadjuvantes, engasgando o ritmo da película e fazendo-a aparentar ser mais longa do que realmente é, defeito piorado pela terrível montagem do longa.

Aliás, como Jasper evoluiu de um vampiro ainda sedento de sangue no segundo filme para um mestre controlado em tão pouco tempo é um mistério. Por falar do filme passado, alguém aí lembra dos Volturi? Bom, enquanto no segundo filme eles só fizeram aparecer, aqui… eles também só surgem de maneira ameaçadora, matam alguém e… fim. Esse deve ter sido o cachê mais fácil da carreira de Dakota Fanning.

Já Bryce Dallas Howard paga o mico de sua vida como a vampira Victoria. Além da personagem não ter absolutamente nenhum desenvolvimento, ela simplesmente não convence como vilã (até porque o filme não lhe dá espaço) e surge substituindo uma atriz no papel de maneira absolutamente inexplicável e com uma peruca que faria as de Nicolas Cage serem os acessórios mais naturais do mundo.

David Slade até que realizou boas cenas de ação que, embora curtas, são intensas (na medida do possível), mas parece ter sido atropelado pelo nada sutil caminhão de conservadorismo que é a franquia baseada na obra de Stephanie Meyer, já que pouco ele pôde imprimir de original em matéria de enquadramentos, visual ou ritmo, tendo a obrigação de seguir a fórmula deixada por seus predecessores.

A dificuldade de montar o filme ficou óbvia, principalmente no primeiro ato. Repare na cena em que Jacob explica a ligação entre Sam e sua amada e veja como a montagem ali é truncada. A trilha sonora, seja a orquestrada por Howard Shore ou a de canções conhecidas selecionadas para o filme, acaba ficando em terceiro plano.

Assim, “A Saga Crepúsculo – Eclipse” só consegue se sair melhor que o primeiro filme por não ser uma produção semi-mambebe, com o dinheiro em efeitos visuais (realmente bons) e em uma direção de arte mais caprichada conseguindo tirar o filme do desastre e levando-o para o patamar de meramente constrangedor.

Invariavelmente essa fita vai fazer dinheiro, com sua continuação, “Amanhecer”, já tendo sido anunciada como um finale em duas partes. Será que existe a possibilidade desses dois últimos filmes redimirem essa franquia? Pessoalmente, eu duvido.

O Almoço Ainda Não Está Pronto...

Enquanto estou escrevendo, meu estômago ronca como um avião enlouquecido. Devo adimitir que desde os meus onze anos e meio, minha fome começou a aumentar gradativamente no tempo em que eu me aproximava dos doze anos, coisa que já aconteceu (farei 12 anos e dois meses dia 1 de agosto). Então, resolvi colocar o link de um site super legal sobre cinema chamado CINEMA COM RAPADURA. Olhem aí:

http://www.cinemacomrapadura.com.br/

Nele, vocês encontaram notícias, sites, personalidaes, críticas e tudo que possam imaginar sobre o grande e esplendoroso mundo do cinema. Aproveitem!

Minha Lista de Lugares Que Eu Gosto De Ir, Que Sinto Vontade de Ir, E Que Sempre Gostaria de Ir

Como diz o título deste post, essa é a lista dos lugares que eu realmente gosto de ir. Vamos lá:

1. Cinemas. Eu sou fanático por filmes.
2. Livrarias. É o paraíso para um amante eterno desses fantásticos e maravilhosos manuscritos que chamamos de livros.
3. Restaurantes e Lanchonetes. Não é necessário falar. Somente desejar comida!
4. Casa (ou Apartamento) das Minhas Primas Favoritas. Acredite, meu amigo, se você conhecê-las, vai concordar comigo imediatamente.
5. Teatros. Poucas vezes eu vi peças, mas devo adimitir que o teatro é uma arte extremamente espetacular.
6. Fortaleza/CE. Só fui duas vezes na vida nesse lugar, mas toda vez me surpreendo.

Espereo que com esta lista que eu fiz o pessoal que acompanha o meu blog -se é que existe algum- possa me conhecer mais.
Até o próximo post!

Diversos Tipos de Lugares Que Você Tem Que Ir, Mas Que Você Não Gosta e Para Não Desrespeitar o Dono da Casa, Se Esforça Ao Máximo Para Ser Agradável

Isso acontece muitas vezes comigo. Eu sei que eu sou evangélico e que devo ser gentil, educado e agradável com as pessoas, mas na minha vida existem diversos lugares que realmente eu não gosto de ir. É aquele lugar que você sabe que o que você mais abomina vai acontecer lá -no meu caso, a cerveja-. Eu não quero reclamar (pois tomei ontem uma decisão para mudar a minha vida) mas vamos à lista deles:

1. Cidade Nova 8. Com certeza esse bairro nunca entrou na minha lista de bairros favoritos. NUNCA!
2. Mosqueiro. Sinceramente acho que eu nunca vi a beleza daquele lugar. Sério.
3. Bares. Esses eu nem preciso comentar.
4. "Almoços de Aniversários". Claro que nem todos são ruins, alguns são excelentes, mas se forem realizados com cerveja...

Essa é a minha lista.

domingo, julho 18, 2010

Harry Potter 6: Um Bom Filme

Essa é a minha opinião sobre o Novo HP: um filme bacana. É um pouco lento, apesar de ter um clímax legal.
E o que o pessoal do Cinema com Rapadura acha?

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

"Harry Potter e o Enigma do Príncipe" pode ser descrito como o respirar profundo antes do mergulho. Em seu penúltimo ano em Hogwarts, Harry e seus amigos possuem mais com o que se preocupar do que simplesmente tirarem boas notas em suas aulas. Intrigas, traições, conspirações, ameaças e romances rondam a escola de magia, enquanto a guerra contra Voldemort se avizinha.


ESCRITA POR: Thiago Siqueira

twitter.com/thiagosiqueiraf

NOTA PARA O FILME: 9

Logo de cara, o longa já deixa claro que o roteiro do veterano na série Steve Kloves irá tomar diversas liberdades quanto à versão literária da história, escrita por J.K. Rowling, neste longa que mostra uma evolução visível do diretor David Yates dentro da franquia. Estabelecendo o clima de tensão existente no mundo dos bruxos, vemos uma breve recapitulação do incidente no ministério ocorrido em "Harry Potter e a Ordem da Fênix" seguido de um estrondoso ataque dos seguidores do Lorde das Trevas à Londres, afetando seriamente o mundo dos trouxas.

Se tornando cada vez mais pró-ativo, o diretor de Hogwarts, Alvo Dumbledore, começa a preparar Harry para a guerra, fornecendo-lhe informações sobre a origem de Voldemort e o encarregando de uma missão especial, que envolve conseguir uma certa informação do novo professor de Poções da escola, o vaidoso e simpático bonachão Horácio Slughorn (Jim Broadbent).

Enquanto isso, Harry, Rony e Hermione enfrentam diversos problemas amorosos, com o protagonista acabando por se apaixonar por Gina, irmã de seu melhor amigo. Já na Casa Sonserina, no entanto, Draco Malfoy parece ter uma sombra em seu futuro, sendo auxiliado pelo Prof. Snape em uma misteriosa tarefa para Voldemort.

O filme deixa um pouco de lado o tal "enigma do príncipe" do título nacional, se concentrando mais nos preparativos para o grand finale da saga, que ocorrerá nos próximos dois filmes. Embora o livro de poções e feitiços encontrado por Harry tenha sua relevância, esta empalidece perante as maquinações que ocorrem dos dois lados do conflito, bem como aos detalhes da origem de Tom Riddle – vulgo Voldemort – revelados por Dumbledore.

O vilão, aliás, é visto apenas em um flash – pouco para valer a citação de Ralph Fiennes nos créditos. Porém, sua força está presente durante toda a projeção, de modo similar ao da figura do Imperador Palpatine nos episódios IV e V da saga "Star Wars". Vislumbrar a malícia presente no jovem Riddle sabendo no que ele se tornará é uma das melhores coisas do filme, especialmente pelo impacto de tais informações no "presente", principalmente para Dumbledore e Slughorn.

Tensos ataques seguidos dos Comensais da Morte até mesmo a pontos anteriormente "seguros" do mundo bruxo, como ao outrora movimentado Beco Diagonal e a uma certa residência de bruxos, contribuem para tornar a atmosfera ainda mais densa. Nesse ponto, as intervenções mais alegres, como a loja dos gêmeos Weasley ou as partidas de quadribol acabam ajudando a equilibrar um pouco o clima pesado que envolve a trama neste ponto.

Neste mesmo sentido, a preocupação do longa em mostrar como as relações amorosas entre os personagens acabam por aflorar se torna bastante lógica, já que nenhuma daquelas pessoas está segura em relação aos seus futuros, dado o nível de ameaça. Assim, o emaranhado amoroso envolvendo Rony e Hermione, bem como a crescente atração entre Harry e Gina ganham destaque na película, culminando em momentos divertidos e bastante românticos. Aliás, não é só dentro de Hogwarts que o romance está em alta, como mostra o casal formado por Remo Lupin (David Thewlis) e Tonks (Natalia Tena), apresentado de forma sutil pelo longa em um tremendo acerto do roteiro.

O elenco se mostra afinado e mais equilibrado do que nunca. Daniel Radcliffe possui ótimas cenas ao lado de Michael Gambon, se revelando um ator que realmente possui um potencial dramático bastante promissor. Tendo de trabalhar com um verdadeiro turbilhão de emoções pelo qual Harry passa, o jovem se mostra a altura do desafio, sabendo explorar os momentos nos quais atua ao lado de atores consagrados e mostrando carisma em suas cenas mais solitárias – embora tenha escorregado um pouco durante o clímax do filme, no qual o seu tom ficou um pouco aquém do ideal. Vemos Harry conseguindo rir um pouco, mesmo com as tragédias pelas quais passa, momentos nos quais seu intérprete consegue se soltar um pouco.

A química de Radcliffe com seus colegas da ala jovem do cast continua irretocável, com Rupert Grint e Emma Watson ganhando destaques merecidos. Grint conseguiu abandonar seus tiques careteiros, algo que era deveras incômodo, e demonstra segurança para amadurecer Ron Weasley sem torná-lo chato e sem nos privar das boas risadas vindas das trapalhadas do bruxo ruivo. A bela Emma Watson vê Hermione finalmente se soltando emocionalmente cada vez mais, continuando sendo a voz da razão do trio, mas se deixando levar pela emoção por mais vezes. É uma pena que, desta vez, a personagem não participe mais ativamente da ação.

Bonnie Wright é quem mudou bastante. De uma mera ponta em "Harry Potter e a Pedra Filosofal", sua Gina evoluiu para um belo e desenvolvido (em todos os sentidos) interesse amoroso para Harry, com a atriz mostrando bastante desenvoltura nessa fase de sua personagem. É uma pena que vejamos tão pouco dos demais integrantes da "Armada Dumbledore".

Outro que cresceu bastante profissionalmente foi Tom Felton, com seu Draco Malfoy saltando de um mero bully oligárquico para um personagem muito mais profundo, cujo sangue consegue prendê-lo a um destino de maneira tão forte quanto Harry. Em apenas algumas cenas, Felton transmite todo o sofrimento e os sentimentos contraditórios que passam pela cabeça de Malfoy, transformando o outrora platinado mimado em uma figura digna de pena.

Luna Lovegood, vivida por Evanna Lynch, tem seus momentos, mas a simpática aluada tem muito pouco tempo de cena, para tristeza de seus fãs. Já Neville Longbottom, interpretado por Matthew Lewis, após ter ganhado um pouco mais de destaque no exemplar passado da saga, volta a ser apenas mais um coadjuvante de luxo, embora deva crescer um pouco nos próximos capítulos.

Os novatos na saga Hero Fiennes-Tiffin (sobrinho de Ralph Fiennes) e Frank Dillane realizam um feito tremendo ao viverem Tom Riddle em sua infância e adolescência, respectivamente, mostrando já o potencial que este possuía para o mal, mas sem apelarem para clichês de "jovens malignos". Notamos muita agressão e malícia em seus olhares e diálogos, mas nada que penda para o exagero.

Na ala mais experiente do elenco é difícil apontar um destaque, pois tais monstros sagrados (sem trocadilho) da atuação britânica aparecem dando verdadeiras aulas de interpretação. Michael Gambon revela facetas de Dumbledore que tornam o Diretor de Hogwarts mais adorável e complexo. Sua preocupação para com Harry – até em um nível extremamente pessoal – e seus arrependimentos em relação a Tom Riddle, bem como o sofrimento pelo qual passa no decorrer do filme geram cenas maravilhosas, nas quais Gambon deixa o espectador maravilhado com sua performance.

Jim Broadbent arranca risadas e tristeza do público como o carismático e trágico Horácio Slughorn, cuja alegria e afobação escondem um grave segredo. Broadbent conquista o espectador, seja nas cenas mais descontraídas ou em uma especialmente complicada e emocional, na qual divide a tela com Daniel Radcliffe. Maggie Smith aparece pouco, mas aparece bem como a Professora Minerva McGonagall, principalmente mais para o final do derradeiro ato da fita.

Alan Rickman, por seu trabalho vivendo Severo Snape, ganha altas condecorações, graças ao desempenho exemplar do ator, que concede ao sombrio professor uma aura toda especial, algo que será extremamente relevante daqui para frente. Atente para as inflexões e às pausas vocais do ator e note como a construção do personagem se mostra mais complicada do que pode parecer à primeira vista e deveras fascinante de assistir por conta disso.

Robbie Coltrane, como Hagrid, tem menos tempo de cena que nos exemplares anteriores da franquia, embora continue tremendamente carismático como o grandalhão guarda-caça e a ótima Helena Bonham Carter mostra toda a insanidade de Belatriz Lestrange com um trabalho vocal e de expressão corporal de se tirar o chapéu. Completamente maníaca, a vilã interpretada por Bonham Carter chama a atenção em todas as cenas em que aparece.

Tecnicamente, nota-se uma grande evolução de David Yates na direção do longa, comparando com seu trabalho em "Harry Potter e a Ordem da Fênix". Desde seu cuidado na apresentação visual dos personagens, passando pela movimentação mais incisiva da câmera – que se torna uma importante ferramenta para inserir o espectador dentro do filme – até mesmo para o apuro visual em determinadas cenas, tudo conspira para tornar este o exemplar visualmente mais atraente da franquia.

A fita teve a sorte de contar com o cinematógrafo francês Bruno Delbonnel na direção de fotografia. Responsável pela bela cinematografia de "O Fabuloso destino de Amelie Poulin", Delbonnel trabalha com uma paleta de cores mais sombrias, sóbrias e dessaturizadas, que reflete o clima cada vez mais tenso da trama, aliviando um pouco nas cenas mais descontraídas, mas com a tensão sempre presente no visual da fita.

Outro fator técnico que reflete na trama é a direção de produção e arte, que sugere com objetos de cena a continuidade da saga (vide os diversos itens de filmes anteriores que marcam presença), bem como pistas para os mistérios que se apresentam neste filme. Já a trilha sonora completa sua transição dos temas mais alegres dos primeiros filmes para tons mais épicos e sérios, com trechos das músicas dos longas iniciais sendo inseridos apenas de maneira sutil e pontual.

O desfecho em aberto do filme deixa claro que "Harry Potter e o Enigma do Príncipe" deve ser encarado como o primeiro movimento da parte final da saga do jovem bruxo. Sendo assim, devo dizer que Yates e sua equipe armaram muito bem o tabuleiro para a conclusão da história. Resta aos fãs esperarem que eles consigam fazer com que o jogo esteja a altura.

sexta-feira, julho 16, 2010

Descoberta!

Receio que estou meio atolado (meio? Isso é elogio comparado ao seu atraso, seu escritor imcompletador -mas que raio de palavra é essa?- e imaginativo! -isso foi um insulto, um elogio sarcástico, ou... ambos?-) com os meus livros. O problema é que toda vez que eu escrevo um livro, acontece o que eu chamo de de B.I.E, Bloqueio de Imaginação e Entusiasmo. É muito ruim, acredite! Até o amor -ah, o amor! E a decepção que o amor te causou com aquela... aquela... Gabriella, a quase-depressão, as consequencias pertubadoras, as paranoias nos sonhos mais loucos... e etc, etc, ETC!!!- ás vezes me prejudica -que clichê, né? Se desconcentar pensando numa garota. HA! (seu doido! Pare de conversar com sigo mesmo!)- e também preciso de conselhos -não que os meus pais não sejam ótimos aconselhadores, eles são (principalmente a minha mãe), mas eu preciso de um amigo, meu grande e melhor amigo Mauricio!- sobre livros e ideias -mas uma razão para eu gostar do meu colégio- e filmes também.
E pior que hoje é dia 16 de Julho... dia 20 tá chegando! Espero que o Mauricio (ou eu) tenha a consideração de ligar.
Pô, cara, talk to me!

segunda-feira, julho 12, 2010

Lista de Revelações Durante Este Ano de 2010

Durante este ano de 2010, muitas coisas mudaram. Uma delas, por exemplo, é que eu descobri que eu NÃO estou apaixonado pela Marcele, e sim descobri que eu na verdade estou apaixonado pela Tamires Ramalho, uma menina qua ano passado me odiava só pelo fato de eu respirar. Outra coisa é que eu estou muito ansioso para a próxima viagem da natação que irá ocorrer em outubro, coisa que eu, sinceramente, já esperava por isso. Também descobri que tenho um vício altamente forte por livros. Também descobri que eu só sou chato com as pessoas porque -rufem os tambores- desde que a Gabriella (da Igreja) me abandonou, me enganou, evaporou, me esquartejou (psicologicamente, é claro), eu fiquei desse jeito maluco de fazer caretas e pertubar os outros. Acho que nem os meus pais sabem disso...
Emfim, cara, também acho que ainda estou em dúvida de qual profissão seguir: Astronauta ou escritor?
Que Deus decida!

Meu livro novo!

Confiram o meu completo primeiro rascunho do meu mais novo livro, "Os Enviados do Futuro"!

Espero que gostem:

OS ENVIADOS DO FUTURO
Por Lucas da Silva Mendes

Os monstros são reais, e os fantasmas também. Eles vivem dentro de nós e ás vezes, eles ganham.- Stephen King

PRÓLOGO
Os dois amigos foram pegos totalmente de surpresa.
Quando aconteceu, foi mais rápido e, mesmo assim, mais nítido do que nunca. Como um flash.
O que era? Uma explosão? Um curto-circuito? Um acidente laboratorial?
Não.
Era uma porta.
Uma porta entre duas épocas.
Uma luz eletrificada, uma ponte, uma passagem, um caminho.
E quem iria atravessá-la? Quem estava do outro lado?
Eles. Os Enviados do Futuro.

Capítulo Um:
O Que Aconteceu Naquela Noite

-Saia já daí, Marvin!
O grito de Paul foi ignorado pelo outro garoto, que continuava a subir na árvore, louco para pegar a mais rechonchuda, grande e suculenta das maçãs da vizinha ao lado direito.
-Saia logo! Se a vizinha Mary lhe vir você aí, vai lhe espetar com a vassoura dela! Ela fica igual a uma bruxa! –gritou de novo Paul.
-Fica calado, Paul! –respondeu Marvin, a um galho de distância da maçã. –Só falta um galho pra eu pegar a maçã. Porque você não vai escutar música no seu mp4, ou vai jogar um Playstation 2, tipo assim, hein? –respondeu Marvin, já indo para o outro galho.
-Você vai cair... –avisou Paul.
-É claro que não. Aposta quanto?
-Cinco dólares!
-Feito!
Quando Marvin disse isso, esticou o braço, pegou a maçã, deu um salto mortal e caiu em pé na grama, no exato momento em que o galho quebrou e caiu atrás dele.
-Pode passar! –disse ele ao amigo.
Paul, com raiva, pegou a carteira e tirou os cinco dólares, dando na mão de Marvin, que deu um sorriso maroto e disse:
-Viu só como eu não caí? Eu sou um mutante, provavelmente! Sou o Superman!
-Só se for o Super-Besta... –falou Paul.
-Aposto que chego na casa da sua mãe primeiro! Dez dólares!
-Feito! –respondeu Paul, já correndo.
Assim, os dois garotos saíram correndo, alegres e felizes.
Paul e Marvin tinham 12 anos. Paul tinha cabelos negros, olhos castanhos, usava óculos e era magro. Já Marvin era mais musculoso, tinha cabelos castanhos, olhos azuis e também era magro. Os dois eram amigos desde os 6 anos de idade e, surpreendentemente, os pais deles também eram amigos e assim, todo dia depois das aulas e do almoço, um ia para a casa do outro para conversar, jogar, estudar e etc. Ambos estudavam na mesma escola, na mesma série e também na mesma sala, por isso, eram muito unidos. Ambos moravam nos Estados Unidos, numa cidade chamada Baxter.
Mas naquele dia eles nem desconfiavam que algo muito fantástico iria acontecer com eles. Algo que mudaria para sempre as suas vidas.
Tudo começou com um bilhete de Marvin no colégio:

Vamos para o laboratório do Sr. Perlman, da rua de baixo! Dizem que lá só tem coisa de malucos e doidos! Que tal... meia-noite em ponto? Afinal, amanhã é sábado!
P.S: Não seja covarde! Assinado: Marvin Mutante Superman


Paul era medroso. Para ele, meia-noite era modo de atrair zumbi. Para Marvin, o horário perfeito para viver uma aventura.
Assim, o dia passou. Quando era 11h58min da noite, Paul estava vendo TV e seu celular vibrou. Aviso de uma nova mensagem:

Vem logo! Já to aqui!
Vc vem ou não vem?
By: Marvin

Paul estava nervoso. Foi para o quarto dos pais, se certificou de que eles estavam dormindo, e pensou:
Esse Marvin está querendo me enlouquecer. Só pode ser...
Foi para o seu quarto, pegou uma jaqueta, uma lanterna, seu celular, dois chicletes de menta e, para se proteger, seu canivete suíço. Abriu a tranca da porta silenciosamente, e, levando a chave da casa com certo temor, deu um suspiro e saiu da casa, descendo até a rua de baixo.
A casa do Sr. Perlman ficava no fim da rua de baixo. Ele era um cientista, que havia se mudado para aquele bairro há alguns meses apenas. Ele se vestia como um cientista, sim, mas como um cientista maluco. Usava óculos enormes, tinha os dois dentes da frente acavalados, tinha um aspecto de estar sempre assustado, vivia com os olhos arregalados, e era constantemente zombado por muitos meninos e meninas que viviam ao redor. E também, os adultos frequentemente fofocavam e escarneciam do homem. A única coisa que era normal era o seu cabelo, que possuía um belo penteado, e que diziam que era a única coisa que prestava no homem. Marvin também gostava de zombar do cientista, mas, exortado por Paul, que não gostava de zombaria, fez com que ele parasse. Porém, já havia se passado dois meses que o Sr. Perlman havia desaparecido misteriosamente e sua casa, toda bagunçada, havia sido abandonada e assim, todo dia, muitos curiosos, tanto adultos quanto crianças entravam na casa e viam o que tinha lá dentro, vítimas da curiosidade humana.
Assim, Paul foi se aproximando até ver Marvin sentado na calçada, que o olhou e disse, apontando para o relógio:
-Parabéns! É meia-noite em ponto! Você é muito pontual mesmo, hein?
-Cala a boca e anda logo com isso. Já estou enrascado só de estar aqui com você. Não sei nem como eu decidi vir aqui. –falou Paul.
-Ok, Senhor Muito Responsável. Preparado para entrar na casa de um cientista com mais de mil parafusos a menos e ver seus inventos malucos?
-Não. Isso é invasão de domicílio. E eu já disse pra você pra parar de chamar o Sr. Perlman de maluco.
-Que seja. Vamos entrar!
Assim, Marvin abriu a porta e os dois entraram na casa.
Era um lugar realmente muito bagunçado. Cheio de garrafas, elixires e pergaminhos com fórmulas espalhados por todo lugar.
-Que bagunça –comentou Paul. –Isso é o lugar “incrível” que todo mundo fala? Nossa! Estou muito impressionado...
-Deve haver algo de interessante nesse lugar, tenho certeza. –falou Marvin, olhando para uma máquina, onde um grande botão vermelho se destacava.
-Olha! Um botão! –gritou ele, correndo para apertá-lo.
-Não faça isso! Pode ser perigoso! –avisou Paul, apreensivo.
-Ô, seu estraga prazeres! Ás vezes é bom correr riscos. Vou apertar esse botão, e vou apertar agora!
Marvin estava quase apertando quando um clarão apareceu atrás dele e os dois amigos olharam arregalados enquanto uma coisa surgia diante dos olhos deles.
Parecia uma janela ou uma porta. A única diferença é que dentro dela havia uma espécie de espiral colorida envolta por uma espécie de doze estrelas que giravam também. Subitamente, uma mão saiu do portal e logo, dois outros jovens saíram, vestindo uma calça e uma camisa prateada, cada um com uma jaqueta preta.
Os dois amigos continuavam a olhar quando um dos outros que atravessaram o portal falou:
-Meu nome é Benjamin e o nome do meu amigo aqui é Lewis. Fomos enviados do futuro, diretamente do ano de 3845, em uma missão para mudar o que está acontecendo. Podem nos ajudar

Capítulo Dois:
Uma Conversa Muito Além da Imaginação

Marvin estava sobressaltado. Paul, muito assustado. Mesmo assim, os dois amigos continuavam a olhar os Enviados do Futuro, que também olhavam para eles, sem entender nada. Novamente, Benjamim perguntou:
-E então? Vão nos ajudar?
-Vo-vo-vocês... são mesmo do futuro? –indagou Paul, ainda assustado.
-Sim - respondeu Benjamim. –Pelos meus cálculos, devemos ter retornado um milênio, oito séculos, três décadas e cinco anos. Estou correto, Lewis?
-Está correto. –falou Lewis, que até aquela hora ainda não tinha falado.
-Como vocês conseguiram voltar no tempo? –perguntou Marvin, curioso.
-Através do protótipo de um acelerador de partículas. Conseguimos expandir o “buraco de minhoca” - um furo menor do que um átomo, que é na verdade um portal entre as épocas localizado no espaço tempo - até que ficasse em um tamanho aceitável para duas pessoas passarem, programamos a data no computador, conectamos ao acelerador e, então, viajamos em um portal do tempo até aqui e agora nos encontramos aqui. –disse Lewis. –E precisamos da ajuda de vocês.
-Por quê? –disse Marvin. –Como sabem que vamos ajudá-los?
-Foi predestinado - falou Benjamim. –É uma das profecias mais valiosas do futuro, e é a em que nós acreditamos.
-Profecias? Em um futuro tão avançado, onde é até possível viajar no tempo, ainda existem profecias?
-Sim - afirmou Benjamim. –E elas são muito importantes.
-Nossa cidade é localizada dentro da área de risco. Ela é protegida por um campo de força, mas logo em breve, até ele será destruído. –falou Lewis.
-Como assim? –perguntou Paul.
-É hora de vocês saberem a verdadeira razão de termos viajado no tempo e retornado ao passado. Lewis? Pode nos dar esse favor?
-É claro, meu amigo - disse Lewis. –No futuro, a natureza se revoltou contra a humanidade. Devido aos constantes desmatamentos e as devastadoras explorações que vinham ocorrendo nos séculos que iam se passando, quando chegou o ano de 3841, algo misterioso aconteceu. De alguma forma desconhecida, houve um desequilíbrio no ecossistema que afetou todo o planeta. Incrivelmente, milhares de furacões e tufões começaram a circular pela Terra, terremotos e tsunamis por toda parte, um crescimento exagerado e desenfreado das plantas e frutas, mutação genética de todos os animais, com até formigas de dois metros de altura! E para piorar a situação, a cada dezesseis horas, uma espécie de vírus biológico, que é o responsável pela mutação genética, que a própria natureza criou, fica cada vez mais forte. Em humanos, ele mata em 60 segundos só com uma leve respirada.
-Que horror! –exclamou Paul.
-E tem ainda mais! O mundo inteiro foi dominado por um tirano chamado Lucius Hermann. Um cientista teve a ideia dos campos de força, e ele o matou e colocou a ideia como sendo sua. Porém só o que protege a sua fortaleza é 100% seguro. Enquanto isso, outros campos de força vão sendo destruídos e milhões de pessoas continuam a morrer.
-Quantos já morreram? –indagou Marvin.
-Dois bilhões de pessoas. E vai crescendo cada vez mais. –respondeu Benjamim, com pesar.
-Isso é horrível! –exclamou Paul. - E como vocês acham que nós podemos ajudar? O que nós podemos fazer?
-Primeiro precisamos fugir desta cidade. –disse Lewis. –E rápido. Eles já estão vindo nos perseguir.
-Quem? –indagou Marvin.
-Os assassinos enviados por Lucius Hermann. Foram enviados para nos eliminar e exterminar. –respondeu Benjamim.
De repente a luz que havia trazido Paul e Benjamim apareceu outra vez, ao olhar horrorizado dos Enviados do Futuro.
-Tarde demais - disse Benjamim.
-Corram! –gritou Lewis.
Assim, depois daquela conversa fantástica, os quatro garotos saíram correndo para fugir e assim uma aventura perigosa e surpreendente já começava a acontece

Capítulo Três:
Uma Fuga Com Audácia e Coragem

-Continuem a correr, não parem por nada! –berrava Lewis.
Cansados, os garotos continuavam a correr desesperadamente, fugindo dos assassinos vindos do futuro.
-Não olhem para trás! –gritou Benjamim. –Acreditem, não vão querer saber da aparência deles.
De fato, os assassinos enviados por Lucius eram horríveis: ambos tinham o rosto completamente deformado e desfigurado, com os dentes linchados para ficarem pontudos, tinham armas futurísticas avançadas com o poder de fogo de uma bomba atômica, e preso ao cinto deles uma pequena maleta com terríveis e dolorosos instrumentos de tortura. Além disso, usavam uma roupa tão negra que pareciam corvos sedentos por carne e sangue.
E eles eram rápidos. Rápidos demais para um ser humano normal.
-Lewis - falou Benjamim, ofegante. –É hora de lutar.
Lewis tirou uma faixa de ninja do seu bolso, amarrou em sua testa, que estava suada por causa do cansaço –e tudo isso correndo– e tirou de dentro de um minúsculo compartimento um sabre de samurai afiado e o atirou contra o primeiro assassino, que desviou velozmente e deu um sorriso.
-Não parem de correr! –gritou Lewis.
Benjamim se virou e deu um soco na cara do segundo assassino, que desviou. Enquanto isso, Lewis lutava bravamente, até conseguir cortar o braço do segundo, que gemeu. Em seguida, o decapitou. Então, Benjamim tirou uma faca de sua cintura e cortou a garganta do primeiro, que ainda tentou matá-lo segundos antes de morrer mirando a arma contra ele e decepando sua mão.
Horrorizados, Paul e Marvin pararam de correr e se viraram para ver o estrago que havia ocorrido.
-Santo Deus - exclamou Marvin.
-Isto foi só o começo - disse Lewis. –Muitos outros virão à nossa procura, e acreditem, nem o tempo poderá detê-los.
-Temos que fugir daqui - disse Benjamim. –Porém a pé não seremos muito rápidos. Precisamos de um meio de transporte.
-Mas nós não sabemos dirigir - falou Paul.
-E nem será preciso - disse Benjamim. –Lewis? Você trouxe o “Livro-T”?
-É óbvio que sim - respondeu Lewis, tirando de outro minúsculo compartimento uma espécie de livro de capa prateada, com páginas meio metálicas. Quando Lewis abriu o livro, um botão azul surgiu.
-Permaneçam perto de nós! –gritou Benjamim.
Paul e Marvin se aproximaram e perguntaram:
-Por quê?
-Agora! –falou Benjamim.
Lewis apertou o botão e em uma fração de segundo eles desapareceram.
Segundos depois, eles reapareceram em um shopping, para a surpresa de um monte de pessoas que ali estavam.
-Benjamim! As “Motoxicron 3.0”!- gritou Lewis.
Benjamim tirou quatro discos dourados e os jogou no chão, que se transformaram em quatro motos para jovens incrivelmente futuristas.
-Subam nelas! –gritou Benjamim.
-O quê?! –tentou argumentar Paul. - Mas...
-SUBAM JÁ! –berrou Benjamim.
Obedecendo ao comando do Enviado do Futuro, Paul, Marvin e Lewis subiram nas mini-motos e girando os cabos das motos, foram fugindo a toda velocidade. De repente, uma legião de seguranças barrou as portas do shopping e Lewis disse para Paul e Marvin:
-Digam “Morte Súbita”.
-O quê? –falou Marvin.
-Apenas digam isso! –disse Lewis.
-Morte Súbita - falaram os quatro em uníssono.
Em cada moto apareceram metralhadoras azuis, que começaram a metralhar os seguranças e assustar os outros. Assim, os quatro garotos fugiram pela rua, acelerando cada vez mais.
-O que... foi... isso? –perguntou Paul, atônito.
-Olhem para trás que vocês vão entender - falou Benjamim.
Paul e Marvin olharam para trás e viram os corpos dos seguranças se transformarem nos corpos dos assassinos que os perseguiam.
-Muitos mais deles virão. –disse Lewis. –Eles não vão descansar até que o nosso coração pare de bater.
-Ou até nós sermos decapitados - completou Benjamim.
Assim, os jovens foram avançando pela rua durante muitos quilômetros até chegarem à estrada. Acamparam há 500 m da estrada, onde passariam a noite e pela manhã, partiriam. Até Marvin perguntar:
-Para onde estamos fugindo?
Benjamim respondeu sem hesitação:
-Vamos atrás de um modo de construir uma nova máquina do tempo.
-Que bom! Uma aventura no meio do ano escolar! Sem deveres, sem pais chatos... uma maravilha! –exclamou Marvin.
De repente, Lewis tirou seu sabre e pulou sobre Marvin e colocou a lâmina afiada na garganta do garoto.
-Lewis, acalme-se! –falou Benjamim, assustado.
Lewis não moveu um músculo e disse:
-Nunca... mais... fale mal... dos seus pais!
-Tudo bem - disse Marvin, e Lewis tirou o sabre de seu pescoço.

Capítulo Quatro:
A Trágica História de Lewis, Benjamim e Suas Famílias

Paul foi o primeiro a perguntar:
-Porque Lewis atacou Marvin?
Benjamim foi mais ligeiro ainda ao responder:
-Tivemos uma experiência trágica com... os nossos pais. Não vale a pena contar essa história, mas...
-Talvez você devesse contar para eles, amigo - rugiu Lewis. –Talvez esse tolo aprenda alguma lição com isso.
-Por que você mesmo não conta? –retrucou Marvin.
Lewis tremeu, e quando a primeira lágrima quase surgiu em seu olho, ele a enxugou e manteve a sua expressão severa.
-Lewis gosta de se manter imune a qualquer tipo de medo ou dor, tanto psicológica quanto física - disse Benjamim. –E já que vocês querem tanto saber nosso passado sombrio, receio que terem que contá-lo.
Benjamim respirou fundo e começou:
-Tudo principiou quando o desequilíbrio aconteceu. Com máscaras protetoras contra o vírus mortal, eu e minha família percorremos muitos quilômetros sedentos por água e com fome até chegarmos a uma cidade protegida por um campo de força. Lá encontramos Lewis e sua família e como desde cedo as famílias eram muito unidas, nossas famílias se juntaram e decidiram compartilhar e dividir cada comida e água que pudessem. Mas tudo isso mudou quando um bando de mercenários atacou e dominou aquela cidade. Um bando liderado... por Lucius Hermann. Decididos a extorquir o máximo possível, ele e seus loucos mercenários pressionaram todas as famílias, inclusive a nossa. Quando os nossos pais se recusaram a dar toda a comida, ele... atirou... na cabeça... deles. Ao tentar nos matar, alguém jogou na hora uma bomba de gás lacrimogêneo e gritou: “Fujam!” Eu e Lewis saímos correndo, com um choro transitando entre a tristeza e a raiva. Unidos como irmãos, fugimos pela cidade, que era muito grande, até entrarmos na casa de um velho mestre japonês, que nos escondeu e acolheu, porque tinha uma doença que lhe restavam apenas duas horas de vida e que sabia todo o tipo de artes marciais, boxe, vale tudo, até kung-fu. Antes de morrer, ele reuniu todo esse conhecimento de 50 anos de treino e experiência em uma máquina de memória instantânea, que permitia com uma senha obter, memorizar ou aprender qualquer coisa em somente 3 segundos. O velho disse a senha para Lewis, e o fez prometer que assim que ele obtivesse todo aquele conhecimento e que o compartilhasse comigo, ele deveria destruir a máquina com um sabre que de algum modo fantástico conseguia estender de um cabo vazio uma lâmina letal e afiada de 90 cm. Dito isso, ele se virou para mim e me deu estas luvas. –o Enviado do Futuro mostrou as luvas que estavam em suas mãos a Marvin e a Paul. - Luvas que tinham o poder de ficarem maiores e de matar o adversário com socos. Em seguida, ele morreu. Então, eu e Lewis adquirimos o conhecimento em 3 segundos e depois, meu amigo destruiu a máquina. Íamos embora, até Lewis parar e dizer que ele precisava fazer uma coisa. Assim, ele partiu com o sabre nas mãos e só retornou à noite, ensopado de sangue. Quando perguntei o que ele tinha feito, ele me disse que tinha cortado as gargantas de quase todos os mercenários, tirando Lucius Hermann, que tinha fugido e escapado da carnificina. Fiquei chocado com o que ele tinha feito, mas ele disse que eles deveriam pagar pela morte dos nossos pais. Depois, com máscaras de proteção, duas mochilas com comida e água, dois Mp32, quatro fantásticos transmissores mentais, e com “Livros-T”, que podem teletransportar a pessoa ou as pessoas para qualquer lugar que o portador do “Livro-T”, eu e Lewis partimos da cidade que atualmente no futuro é a cidadela de Lucius.
-Desculpe –interrompeu Paul. –O que são esses “fantásticos transmissores mentais”?
-É isso - falou Lewis, injetando duas seringas, uma em Marvin e uma em Paul, que gritaram de dor.
Calma, pensou Lewis. Dói no início, mas logo vocês se acostumam.
-Espera aí! –exclamou Marvin. –Eu tô ouvindo a sua voz na minha mente!
Algumas pessoas chamam isso de telepatia, respondeu Benjamim. Mas é por aí mesmo, Marvin.
-Uau! –exclamou Paul. - Eu tô ouvindo também! E eu posso também...?
-Claro - disse Benjamim.
Alô! Alô! Alguém na escuta? Alô!, gritou em pensamento Paul.
Ai, que barulho, reclamou Lewis. Não pense tão alto assim, garoto.
Maneiro! Funciona mesmo, alegrou-se Paul.
-Continuando a história - disse Benjamim. –Eu e Lewis fugimos da cidade, até descobrirmos dois anos depois um laboratório secreto, cheio de corpos mortos pelo vírus mortal. Lá, descobrimos a existência de uma Resistência contra Lucius Hermann, que já era o soberano naquela época, a qual nós nos juntamos e descobrimos os planos do louco tirano que existia. Também descobrimos as misteriosas Profecias, cuja qual nós fomos escolhidos é:

“Dois do futuro deverão ao passado retornar
Um com mãos poderosas e um com desejo de se vingar
No passado dois amigos irão ajudar
E logo que os do Futuro chegarem, eles irão se encontrar
Um milênio, oito séculos, três décadas e cinco anos devem voltar
E o destino do amanhã em jogo irá ficar. ”

Assim, vimos os planos para a construção do acelerador de partículas para criar uma máquina do tempo, que eu e Lewis demoramos dois anos para construir. Porém, Lucius descobriu também os nossos planos, e com a tecnologia que ele tinha acesso, ele fez uma réplica melhor da nossa máquina do tempo em somente duas semanas. Assim, às pressas, nós ligamos a máquina e partimos através das sendas do tempo, e então, nós agora estamos aqui. Essa é nossa história.
-Quem fez as profecias? –perguntou Paul.
-Ninguém sabe - respondeu Lewis.

Capítulo Cinco:
Uma Visão do Vilão do Futuro

A manhã não demorou a chegar, e logo eles partiram nas motos. Para ficarem mais seguros, resolveram conversar usando apenas os “transmissores mentais”.
Estou preocupado, pensou Paul.
Com o quê? Estamos seguros com esses dois, respondeu Marvin.
Bem, explicou Paul, Eu tenho uma coisa pra te contar. É que...
Cuidado!, gritou Benjamim.
***
Sete portais do tempo começaram a se metamorfosear na estrada, e de cada um deles cinco assassinos fortemente armados saíam, com sorrisos malignos no rosto.
Um deles, com uma arma mista entre espada e metralhadora, falou:
-Rendam-se. Nós somos 35 e vocês são quatro. Se vocês se renderem, prometemos uma morte rápida e sem dor. Senão, receio que cada um de nós terá que torturar vocês até seus ossos virarem pó. Depois, os corvos se fartaram de suas carnes!
Lewis desceu da moto, tirou seu sabre e disse:
-Apenas observem.
O Enviado do Futuro apertou o dedo indicador no cabo do sabre, que foi se transformando em um bumerangue. Um bumerangue letal. Lewis atirou o bumerangue e, um a um, os assassinos eram brutamente decapitados. Não adiantava colocar as mãos ou tentar atirar contra o bumerangue: ele continuava girando e, se as mãos ou os braços estivessem no caminho, eram decepados e a cabeça era cortada fora. Aterrorizados, Paul e Marvin observavam, até todos os corpos caírem no chão, banhados de sangue. Até Benjamim pareceu surpreso:
-Nossa! Isso foi... Uau!
Lewis deu um sorriso. Apesar de ser sério, ele gostava de ser elogiado.
Subitamente, mais vinte portais do tempo surgiram, com mais assassinos e com certeza, Lewis e nem tão pouco os três poderiam combatê-los.
-Corram! –gritou Benjamim. Os quatro subiram nas motos e fugiram a toda velocidade, porém algo mais surpreendente aconteceu: os assassinos começaram a correr, e até mesmo quando eles chegaram a 220 km por hora, os assassinos pareciam não se cansar e se aproximavam cada vez mais dos garotos.
-Isso é impossível! –exclamou Paul. - Nenhum ser humano normal pode correr a 220 km por hora!
-Você falou corretamente, Paul. - disse Benjamim. –Nenhum ser humano normal pode correr a essa velocidade. Pense bem: você acha que eles são normais?
-Benjamim - falou Lewis. –Acho que está na hora de um “plano B”!
-Concordo! –respondeu Benjamim. –Transmutar para modo voador!
Paul e Marvin não entenderam o que Benjamim havia dito até as motos começarem a flutuar e asas metálicas começarem a sair das laterais das motos, que já não eram mais motos e sim aviões com o tamanho exato pra cada um deles.
Usem os “transmissores mentais” para pilotarem o avião, pensou Lewis.
Ah, Meu Deus! Olhem! Que esquisito, gritou Paul.
Os quatro olharam e vislumbraram enquanto os assassinos começavam a flutuar em uma espécie de bola oval fina e brilhante, alguns com espadas, outros com metralhadoras e outros até com granadas, e começavam a voar contra os quatro.
É hora de lutar, pensou Benjamim.
Os Enviados do Futuro começaram a atirar. Marvin teve dificuldade, mas começou a atirar contra os assassinos. Porém Paul foi surpreendente. Ele conseguiu atirar oito vezes consecutivas na cabeça dos assassinos, além de voar com a precisão de um veterano de guerra, fazendo incríveis manobras aero planas que fariam um expert profissional babar. O que impressionou até a Lewis:
Quem diria! Como você conseguiu tamanha precisão?
Horas e horas seguidas nos finais de semana jogando simuladores de voo no Play Station 2 e Xbox 360. Eu tinha que aprender alguma coisa, respondeu Paul, até um pouco surpreso consigo mesmo.
Então, as coisas começaram a ficar mais perigosas. Os assassinos pareciam estar aumentando. Não importava o quanto eles caíam, eles pareciam aumentar cada vez mais. E o armamento estava ficando cada vez mais difícil. Repentinamente, um portal do tempo surgiu no ar diante deles.
Então ele surgiu.
Atravessou o portal do tempo com a maior naturalidade, voando em sapatos com foguetes, segurando uma arma presa à sua mão direita. Quando viram seu rosto, Lewis e Benjamim sentiram seu sangue ferver. Quem acabara de chegar ao passado era Lucius Hermann. O vilão do futuro. O assassino dos pais dos Enviados do Futuro.
-Ora, ora, ora - disse Lucius, com um sorriso diabólico no rosto. –Se não são os orfãozinhos que acham que podem salvar o mundo viajando no tempo. Patético.
Em seguida, olhou para Paul e Marvin e disse:
-Olhem só! Parece que a profecia está correta. Bem, então, se a profecia está se cumprindo, significa que vocês devem morrer.
Lucius apontou a arma e Lewis berrou:
-Benjamim! A bomba temporal!
Uma bomba saiu do avião de Benjamim e entrou no portal do tempo. De repente, Lucius e todos os seus assassinos foram sendo sugados pelo portal do tempo, onde os quatro só ouviram o grito irado do vilão antes de retornar a sua época.

Capítulo Seis:
A Missão é Finalmente Revelada

-Chega! Eu não aguento mais! –gritou Paul, quando eles pousaram e saíram dos aviões. –Eu desisto!
-O que foi? –perguntou Marvin.
-Você ainda ousa perguntar?! Olha só isso! Nós nos envolvemos em uma aventura super estranha com viagem no tempo, conhecemos um samurai adolescente psicopata (Lewis bufou ofendido) e um garoto com um monte de profecias esquisitas vindos do futuro (Benjamim ficou indignado), enfrentamos um monte de assassinos pirados, vimos decapitações, membros serem decepados brutalmente, enfim, um monte de coisas horríveis! E, para melhorar a nossa situação, um tirano futurista agora quer ver nossos corações pararem de bater. E tudo isso por sua culpa! –respondeu Paul, apontando para Marvin, que ficou indeciso se ria ou se tentava argumentar.
-Se não fosse por você –começou novamente Paul. –Nós nunca teríamos entrado na casa no Sr. Perlman, nós nunca teríamos nos metido nessa loucura. É tudo culpa sua!
-Você quis vir! –argumentou Marvin. –Se você quisesse, poderia ter me ignorado e ido dormir! Você escolheu vir comigo!
-Eu sempre estive do seu lado! Você é meu amigo! Mas se você não tivesse...
-Vocês querem CALAR A BOCA?! –berrou Lewis.
-Temos que nos concentrar no nosso objetivo - afirmou Benjamim.
-Tudo bem. –concordou Paul. - Você poderia definir qual é o nosso objetivo?
-Temos que construir uma máquina do tempo de função inversa. Com ela, nós iremos regredir a natureza até o tempo em que tudo era fértil e próspera e mantendo as cidades onde estão. Com ela, os animais retornarão ao normal e, principalmente...
-Temos esperança de fazer com que essa máquina salve a vida dos nossos pais, fazendo com que eles nunca tenham morrido. –explicou Lewis.
-Mas espera aí! –exclamou Marvin. –Vocês vieram de um futuro distante cheio das mais avançadas tecnologias - apesar de estar semi-apocalíptico - para construir outra máquina em um passado inferior?
-A máquina só funciona a Bio-5, uma esfera energética que possui um alto controle sobre a natureza. Ela está sendo criada secretamente em um laboratório em Washington, DC, onde ele está exatamente nos subterrâneos da Casa Branca, sendo protegido por agentes secretos do FBI e da CIA. No futuro, ela foi destruída por Lucius Hermann, quando ele a usou para construir seu campo de força protetor. A nossa missão é roubar essa esfera, levá-la de volta para o futuro e construir a máquina velozmente, para mudarmos o passado e salvarmos o futuro. –disse Benjamim.
Todos ficaram calados, até Paul se virar para Benjamim e assustá-lo, berrando altamente:
-Você ficou louco?! Enfrentar agentes treinados do FBI? Da CIA? Somos crianças de 12 anos! (-Na verdade, pré-adolescentes! - comentou Marvin) Como vamos enfrentá-los? Como eu e Marvin vamos enfrentá-los?
-Vocês já possuem um potencial escondido para isso. –afirmou Benjamim, com um sorriso. -Só necessitam desperta-lo.
Lentamente, quatro portais do tempo começaram a surgir ao redor deles.
-E parece - sorriu Lewis. –Que esta é uma ótima oportunidade para isso.
Benjamim atirou duas 9 mm para Paul e Marvin, e suas mãos inflaram, e ele começou a atacar. Sua mão foi socando o primeiro assassino que emergia do portal, e Lewis já avançava para o segundo. Paul estava sem ação alguma, porém quando um terceiro tentou atacá-lo, ele nem pensou duas vezes e atirou, e o corpo do assassino jazia morto no chão.
Excelente, pensou Lewis.
Obrigado, agradeceu Paul.
Marvin atirava para todos os inimigos que via na sua frente. Eles pareciam se multiplicar. Quanto mais eles os derrotavam, mais eles aumentavam.
-Não podemos com todos eles! –gritou Benjamim.
Lewis afirmou com a cabeça e rodopiou pelo ar, com o sabre em sua mão, pegou o Livro-T, e logo Benjamim, Marvin e Paul se juntaram a ele, e os quatro desapareceram dali.
***
Enquanto isso, em um futuro incerto e tirânico, Lucius Hermann bufava de raiva: mais uma vez os malditos garotos escaparam. Ele observava os acontecimentos através dos olhos dos seus assassinos, que continham lentes de contato que eram na verdade pequenas câmeras temporais. Eles buscavam a Bio-5, ele sabia disso. Se eles conseguissem... então ele riu. É claro que eles não iriam conseguir. Afinal, como eles iriam retornar para o futuro? Ficariam presos no passado para sempre. Perfeito! Porém... se eles alterassem o passado, poderia ser catastrófico o que poderia acontecer no futuro. Não, eles retornariam ao futuro, seriam mortos e fim de papo.
-Cerveja! –gritou ele para os seus servos. –Mais cerveja!
Estúpidos, pensou ele, enquanto serviam cerveja em sua caneca de vidro e ele os enxotava dali ou simplesmente os matava. Pegou a taça espumante e bebeu, pensando com satisfação:
Como é maravilhoso o sabor da morte e da vitória.

Capítulo Sete:
Explosão a Caminho de Washington, D.C

Os quatro embarcaram em um trem para Washington. A viagem demoraria umas 4 horas, então eles teriam tempo suficiente para descansar de tantas lutas, mortes e aventuras. Os Enviados tinham levado dinheiro da época para o passado, em caso de emergências.
Lentamente, Paul e Benjamim foram adormecendo, seguidos por Marvin. Lewis foi o único a permanecer acordado, absorto em seus pensamentos, até que após meia hora, ele sucumbiu ao sono.
Após duas horas e meia, Lewis despertou. A madrugada estava silenciosa e tranquila. Subitamente, ele ouviu um barulho suspeito e um cheiro de queimado até que ele ouviu o barulho de uma explosão.
-Acordem! –berrou ele para os outros três. –Acordem!
Lewis se concentrou e gritou em pensamento:
ACORDEM!
Os três quase pularam das poltronas, assustados.
-Lewis! –exclamou Benjamim. –Você ficou louco?
-Silêncio! –sussurrou Lewis. –Usem os transmissores mentais!
Muito bem, pensou Marvin, bocejando. O que está acontecendo? Por que você nos acordou?
Tem alguma coisa de errado com esse trem, pensou Lewis. Eu ouvi o barulho de uma explosão.
Explosão? Hahaha, muito engraçado, pensou Paul.
Então de repente, o vagão onde eles estavam explodiu ao meio.
-Aaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh! –berrou Paul, aterrorizado, enquanto sua poltrona ia para a morte.
Benjamim ativou suas luvas e pegou a cadeira onde Paul estava. Enquanto isso, os outros passageiros iam caindo diretamente para serem triturados pelos trilhos do trem e pelo próprio trem.
-Ajude-as! –gritou Paul.
Lewis hesitou e Paul berrou em meio aos gritos:
-Salve aquelas pessoas ou eu juro que eu vou atirar na sua cabeça tanto que os seus miolos vão sujar todo esse vagão!
Lewis sorriu e pensou:
Finalmente você está agindo como um homem.
E ele saltou para o resgate.
Benjamim continuava a arrastar Paul, que se segurava na cadeira. Quando ele finalmente ficou suficientemente próximo ao chão, ele pulou da cadeira e pousou fortemente no chão, enquanto Benjamim a soltava e ela se dilacerava nos trilhos. Lewis continuava a ajudar as outras pessoas e quando uma menina de um ano e meio escorregou das mãos de sua mãe em direção ao seu fim, Marvin, que ainda não tinha feito nada, saltou de sua cadeira e a pegou antes que ela fosse despedaçada e a salvou, batendo seu rosto contra um dos vidros do trem, que se quebrou e cortou seu rosto. Enquanto tudo isso acontecia, Paul observou os outros vagões serem um a um explodidos como o vagão deles, então ele olhou para o céu e antes que pudesse distinguir o que estava voando e causando aquela destruição, o vagão do maquinista também foi explodido, de um modo tão forte que as duas metades do vagão deles se dividiram e cada uma capotou e girou pelo ar. A realidade foi rodando rapidamente, com choros, gritos e sangue por todo o lado, até que a escuridão engoliu os quatro e tudo desapareceu.
***
Lewis foi o primeiro a abrir os olhos. Ele levantou a cabeça e percebeu que sua perna estava quebrada. Ele a pegou e, com uma careta de dor e cerrando os dentes, ele a colocou no lugar, deixando escapar um suspiro. Só depois ele olhou em volta. A metade do vagão estava virada de cabeça pra baixo. De um modo milagroso, todos ali estavam vivos, incluindo a mãe e a menina, que abraçadas não sofreram um único arranhão. Benjamim olhou para sua mão e percebeu que um de seus dedos estava quebrado. Assim como o outro Enviado do Futuro, ele o pegou e com uma exclamação de dor o colocou no lugar. Marvin e Paul estavam ilesos como os outros passageiros, somente com alguns pequenos arranhões e, no caso de Marvin, com um corte no rosto.
Vamos pessoal, pensou Lewis. Nossa missão ainda não acabou. Nós ainda precisamos da Bio-5. Temos que partir.
Assim, os quatro se levantaram e observaram o nascer esplendoroso do sol, anunciando uma nova manhã que resplandecia.

Capítulo Oito:
Como se Infiltrar no FBI, na CIA, e Etc.

Marvin bocejou. Eles estavam caminhando há mais de uma hora e depois daquela última aventura -apesar de Paul considerar uma desventura- ele já estava exausto com tudo aquilo que tinha acontecido.
Deixem de ser preguiçosos, pensou Benjamim, rindo. São só alguns quilômetros. Qual é o problema disso?
Talvez pra você isso não seja um problema, pensou Paul.
-Hahahaha! –riu Marvin.
Vocês querem calar a boca?Pelo menos por cinco minutos, retrucou Lewis, irritado. Parem de agir como se fossem criancinhas de dois anos de idade.
Eles foram caminhando até chegarem a um restaurante na estrada. Lewis deu U$$100,00 dólares para a garçonete e pediu o café da manhã, ou seja, quatro pães com queijo e ovo, quatro cafés com leite, quatro panquecas e uma jarra de suco de laranja. Ele estava sujo e tinha alguns hematomas e cortes pelo corpo, mas como eram cem dólares que ele estava dando, ela decidiu não recusar.
-Ah, e fique com o troco. –acrescentou Lewis.
A garçonete quase deu pulinhos de alegria.
-Muito bem - falou Benjamim. –Precisamos discutir um modo de nos infiltrar na Casa Branca. Alguém dentre vocês tem alguma ideia?

Em breve, a continuação desta emocionante aventura!
Aguardem...