Sabe quando você cansa de ser tantas vezes passado pra trás?
De ser enganado e ludibriado por uma pessoa durante tanto tempo e dizer "basta"?
É assim que eu me sinto em relação ao Igor, meu irmão (ou meio-irmão).
Sabe, há algum tempo atrás, quando ele vinha dormir aqui em casa, eu ficava eufórico. Quando ele chegava, eu dedicava minha atenção, chegando até ao ponto em que nós fomos dormir cinco horas da manhã pois estávamos vendo um monte de filmes. Todas as vezes, ele dizia: "olha, eu venho passar um tempo aí contigo", ou depois, "eu já tô de férias, eu vou passar uma semana aí na tua casa", e etc.
Ele nunca veio.
Ele era como um político: só prometia e nunca cumpria.
E isso ocorreu durante o ano inteiro.
E, lentamente, uma coisa aconteceu.
Depois de ter sido enganado durante todo esse tempo, eu... me cansei. Me magoei. Eu disse finalmente um "basta".
Agora, ele só vem aqui para pegar dinheiro para pagar a faculdade... e dizer mais promessas que jamais serão cumpridas.
E quer saber?
Eu nem espero mais que ela cumpra alguma dessas promessas.
Ontem, ele retirou suas amídalas e eu fui ao hospital com o meu pai buscá-lo e levá-lo pra casa.
Lá, vimos um vídeo da banda dele, conhecemos a namorada dele, e meu pai ficou todo orgulhoso.
Eu não sinto raiva do Igor.
E na casa dele, eu senti a pior coisa que se pode sentir... nada.
Eu estva feliz por causa dele, por ele ter uma namorada bacana, mas... nada. Uma chama simples de alegria, ou de vontade de dizer que a presença dele era legal. Nem raiva, nem alegria, nem... alguma coisa.
E então, eu comecei a me lembrar de tempos antigos, quando eu era menor, na faixa dos três, quatro, cinco e seis anos de idade. Quando o Igor, as minhas primas queridas, e todos ao meu redor realmente pareciam demonstrar que gostavam de mim. Que eu era uma das coisas queridas deles. Que eu aparecia de vez em quando em seus pensamentos. Quando brincávamos, ríamos, sem se importar com o resto.
Mas os tempos mudaram.
Eu não sou um pensamento que regulamente aparece na cabeça do Igor, ou das minhas primas.
Eles não se lembram de ligar pra mim pra perguntar como eu estou, se eu estou bem, se eu me sinto feliz.
E eu sempre fiz isso.
Quantas vezes eu não deixei algo que eu tinha pra fazer para ficar com eles?
Quantas vezes eu não deixei de lado a minha vontade e fiz a deles?
E, ontem, ao deixar de ir ao meu último dia de aula na natação para ficar com o meu irmão, eu indaguei:
"Quantas vezes o Igor deixou algum compromisso dele por causa de mim?", "Porque eu vou visitá-lo por causa dele, se ele nunca vem aqui por causa de mim?"
Mas eu continuo indo.
Continuo amando o Igor e as minhas primas.
Mas no meu coração, continua uma terrível dúvida:
Será que eles verdadeiramente me amam?
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